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Copa América: Kubo, a joia japonesa do Real Madrid

Apesar da goleada para o Chile, o meia-atacante de 18 anos justificou o apelido de "Messi japonês", obtido nas categorias de base do Barcelona

Por Danilo Monteiro - 17 jun 2019, 23h23

Jogando com a camisa 21, Takefusa Kubo foi o destaque da estreia do Japão na Copa América. Apesar da goleada de 4 a 0 aplicada pelo Chile, o atual bicampeão do torneio, a jovem promessa arrancou suspiros nervosos dos chilenos no primeiro tempo com chutes perigosos e dribles desconcertantes. A expectativa em torno do meia-atacante de 18 anos é gigante. Afinal, trata-se do primeiro jogador japonês a ser contratado pelo Real Madrid. O desempenho promissor, em um palco de destaque do futebol mundial, justificam o apelido a Kubo pela imprensa especializada: pela semelhança no controle de bola e nos dribles curtos, ele foi chamado de “Messi japonês”.

Tabela completa de jogos da Copa América 2019

Fenômeno nacional, Kubo é tratado como prodígio desde a adolescência, chegando a defender a seleção japonesa na Copa do Mundo Sub-20, em 2017, com apenas 15 anos. Ele, disparadamente, foi o jogador mais procurado pela imprensa – mais do que jogadores do Brasil na estreia – depois do confronto contra o Chile, Assim que o meia-atacante de 1,74m de altura apareceu, uma multidão de repórteres – japoneses, em sua maioria – atropelou quem tivesse pela frente para ouvir o craque da equipe, que anda sempre acompanhado por uma assessora de imprensa do time. Com voz de adolescente e atitude de um jogador adulto e experiente, Kubo responde aos questionamentos objetivamente, sem rodeios, e, diferentemente de outros atletas, sabe ditar o ritmo das entrevistas e ordem de respostas. “Só vou responder a mais um questionamento em espanhol”, disse a um jornalista chileno.

O atacante japonês Takefusa Kubo marcado pelo chileno Aranguíz

O atacante japonês Takefusa Kubo marcado pelo chileno Aranguíz Heitor Feitosa/VEJA

Os japoneses, que disputam a competição a convite da Confederação Sul-Americana de Futebol, vieram ao Brasil com seu elenco sub-23 e que se prepara para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano que vem. A história do “Messi japonês” está ligada com a Espanha desde cedo. Aos 9 anos, Kubo foi chamado para integrar as categorias de base do Barcelona. Foi nas famosas “canteras” do time catalão que recebeu o apelido em referência ao craque argentino. Sua passagem pela Catalunha, porém, foi interrompida quando o Barça acabou punido pela Fifa, em 2014, por irregularidades na transferência de menores estrangeiros. Kubo, então, teve que voltar ao sua terra natal, onde assinou com o Tokyo FC, equipe pela qual marcou cinco gols em 16 jogos na atual temporada.

Kubo até poderia ter retornado ao Barcelona, mas o time catalão e o Paris Saint-Germain, outro interessado, se confundiram em relação a data final do contrato de Kubo com o FC Tokyo e não apresentaram propostas. O Real Madrid foi mais sagaz, reunindo-se com membros do clube, e descobriu que o vínculo se encerrava em dia 1º de junho deste ano. Os merengues contrataram a grande promessa do Japão sem precisar pagar nada. Segundo o jornal espanhol Marca, o Real pagará mais de 1,2 milhão de euros (5,2 milhões de reais) anuais para o japonês nas próximas cinco temporadas.

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