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Contestado, filho de Tite revê sua melhor ‘descoberta’: Paolo Guerrero

Matheus Bachi foi o responsável por indicar ao pai, então treinador do Corinthians, a contratação do peruano, autor do gol do título mundial de 2012

Por Luiz Felipe Castro 22 jun 2019, 09h00

As histórias de Tite e Paolo Guerrero, protagonistas da partida entre Brasil e Peru desta sexta-feira, 22, em Itaquera, estão entrelaçadas. Foi com um gol do atacante peruano contra o Chelsea que ambos conquistaram o maior título de suas carreiras, o Mundial de Clubes de 2012, pelo Corinthians. A glória no Japão, no entanto, talvez não tivesse ocorrido não fosse a participação de um terceiro personagem: Matheus Bachi, o jovem e contestado filho de Tite, seu auxiliar na seleção.

Um dos “acertos” mais conhecidos da carreira de Matheus, que entre outras atribuições no dia a dia de treinos, é responsável por fazer a análise de adversários da seleção, foi indicar a contratação de Guerrero, então no Hamburgo, da Alemanha, ao Corinthians. Na época, Matheus ainda estudava nos Estados Unidos e, de férias, se impressionou com uma partida de Guerrero. Deu a dica ao pai, que finalizou a contratação apenas no ano seguinte, também com o aval de uma análise feita por Fábio Carille, então auxiliar e hoje técnico do Corinthians.

  • O peruano Paolo Guerrero marcou o primeiro gol do Corinthians na vitória por 2 a 0 sobre o Palmeiras
    Guerrero em Itaquera Mauro Horita/Agif/Folhapress/Folhapress

    “O Matheus, na verdade, foi o primeiro a comentar sobre o Paolo, na Copa América de 2011, da qual ele foi o artilheiro. Ele, então, nos avisou e passamos a observá-lo”, confirmou o auxiliar da seleção, Cleber Xavier, depois da entrevista de Tite na véspera da partida. Marquinhos, zagueiro do PSG e que trabalhou por poucas semanas com Guerrero no Corinthians, também falou sobre a estrela peruana. “É um grande jogador, forte, boa estatura, boa movimentação, então é muito difícil marcá-lo. Vai ser uma boa luta dentro de campo.”

    Acusação de ‘nepotismo’

    Matheus Bachi, que chegou a fazer um “estágio” de auxiliar com Fábio Turra – atual auxiliar de Felipão no Palmeiras –, no Caxias, ganhou a chance de trabalhar com o pai no Corinthians em 2015 – uma prática comum entre treinadores, como Cuca, Dorival Junior e até estrangeiros como o italiano Carlo Ancelotti. No ano seguinte, foi levado com ele para integrar a comissão da seleção brasileira, o que levantou as primeiras discussões sobre nepotismo.

    Desde então, Tite rebate as acusações e diz que o filho, de 30 anos, foi escolhido por sua capacidade. Em Salvador, depois do empate em 0 a 0 contra a Venezuela, o tema voltou à pauta e irritou Tite – sobretudo devido a uma comparação com Antônio Carlos Magalhães, o influente político baiano que abriu caminho para parentes no ramo.

    “Eu tenho muito orgulho da capacidade do Matheus. Ele está guinado em posições que tem condições para estar” disse, para depois completar. “Sobre as comparações, eu não tenho o devido conhecimento, não falo sobre Bahia e políticos. Falo da minha relação e minhas exigências com o Matheus. Ele é campeão brasileiro, um título histórico comigo”.

    Matheus, apesar de ter sido “promovido” à condição se auxiliar número 2 de Tite depois da saída de Sylvinho, novo técnico do Lyon, tem ficado sentado na primeira fila das salas de imprensa, enquanto o pai e o auxiliar Cleber Xavier concedem as entrevistas coletivas. Em sua época como número 2, Sylvinho participava com frequência das entrevistas.

    Matheus Bachi, filho do técnico Tite, orienta Everton antes da entrada do atacante durante partida contra a Venezuela, na Arena Fonte Nova, em Salvador Lucas Figueiredo/CBF
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