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Conheça o Pyramids, de Keno e Rodriguinho, o novo rico do futebol

Apesar dos altos investimentos, clube egípcio comprado por um excêntrico milionário saudita vem cometendo diversas gafes nas redes sociais

O Egito está em alta no futebol internacional neste ano não apenas pela grande fase de Mohamed Salah, artilheiro do Liverpool, ou pela participação da seleção na Copa do Mundo da Rússia. Um excêntrico milionário saudita tratou de colocar o futebol do país em evidência no mercado de transferências ao investir mais de 135 milhões de reais em 22 contratações, cinco delas de jogadores brasileiros e mais o técnico Alberto Valentim, que estava no Botafogo. O Pyramids FC é o novo rico do futebol.

O clube foi comprado há poucos meses pelo xeque Turki Al-Sheikh, presidente do Comitê Olímpico da Arábia Saudita e primo do príncipe do país. O milionário chegou recentemente ao futebol egípcio, quando ainda era presidente de honra do time local mais vitorioso, o Al Ahly, para depois investir em outra equipe.

Turki se irritou com a diretoria do Al-Ahly por considerar que merecia ser tratado com mais honrarias, com a chance de posar para fotos e receber mensagens de agradecimento de jogadores contratados. O clube octacampeão continental não quis ceder aos seus caprichos e causou a ira no saudita. A decisão dele foi romper relação e comprar um coadjuvante time local, o Al Assiouty, para transformá-lo em uma potência do nível do agora desafeto Al Ahly. Quem ganhou com isso foi o futebol egípcio, mais atrativo agora.

Rodriguinho ao lado do xeque Turki Al-Sheikh

O xeque trocou o nome, tornou-se a única pessoa seguida pelo time no Twitter e não tem economizado nas contratações. São propostas irrecusáveis, de milhões de reais. Trouxe para ser treinador Alberto Valentim, também com passagem pelo Palmeiras, e investiu em brasileiros como Keno (Palmeiras), Rodriguinho (Corinthians), Ribamar (Atlético-PR), Carlos Eduardo (Goiás) e Arhur Caike (Chapecoense). O exagero foi tanto que o clube excedeu a cota de estrangeiros e já repassou Arthur.

O Pyramids oferece atrativos enormes. Carro e casa de luxo, tradutor e salários gordos. O dono saudita disse aos brasileiros e aos quatro jogadores da seleção egípcia trazidos nesta janela que quer mostrar aos rivais do Al Ahly que tem potencial para liderar um time vencedor.

A imprensa calcula que o elenco passou a valer cerca de 260 milhões reais. Grande parte das contratações veio do Zamalek. O time recebeu aproximadamente 70 milhões de reais com as negociações e chegou a vender atletas por valores cinco vezes acima do esperado. Para os brasileiros, o montante investido passou de 100 milhões de reais.

Ricardo La Volpe, ex-treinador da seleção mexicana e ex-jogador da seleção argentina, campeã do mundo em 1978, é consultor técnico da equipe, e participou de propaganda promovendo o clube com os reforços brasileiros. No comercial, ele pede aos torcedores mudarem de princípios e apoiar a nova equipe.

Clube das gafes

Mas não é apenas de sucesso que vive o Pyramids. O clube cometeu gafes que beiram o amadorismo em seus primeiros meses de existência. Na apresentação dos reforços, o clube usou um modelo de uniforme do Racing, clube argentino que tem desenho semelhante, e esqueceram de tirar o patrocínio de um banco argentino das mangas.

Outro exemplo: no site oficial da equipe, o recém-contratado Lucas Ribamar, ex-jogador de Botafogo e Atlético-PR, é chamado de Lucas Libamar. O Pyramids estreia no Campeonato Egípcio em 3 de agosto contra o Enppi e tentará fazer valer o investimento em campo.

Lucas Ribamar (Pyramids FC - Site Oficial/Reprodução)