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Como o Bayern de Munique se transformou no melhor time da Champions

Adversário do PSG de Neymar na final do torneio europeu teve uma mudança de atitude sob o comando do novo técnico e passou a à equipe a ser batida

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 23 ago 2020, 10h56 - Publicado em 22 ago 2020, 08h00

Dia 2 de novembro de 2019. O Bayern de Munique sofre uma goleada por 5 a 1 do Eintracht Frankfurt no Campeonato Alemão e cai para a quarta colocação. O resultado foi o último de uma sequência de tropeços e más atuações da equipe dirigida por Niko Kovač, ex-jogador do clube, e custou seu emprego. O auxiliar Hans-Dieter Flick assumiu o posto e as coisas tomaram outro rumo. Com mais intensidade e a volta do bom futebol, o time bávaro passou a atropelar os adversários, garantiu os títulos do campeonato e da copa nacional e chegou à final da Liga dos Campeões como o favorito para o confronto deste domingo, 23, contra o Paris Saint-Germain, de Neymar.

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Mas como o Bayern passou de um time instável para um rolo compressor em tão pouco tempo? Na derrota para o Frankfurt, vários destaques individuais estavam em má fase. O meia-atacante Thomas Müller completou 500 jogos com a camisa da equipe naquele dia e chegou a 19 jogos sem balançar as redes, então sua pior marca na carreira. O sistema defensivo apresentava muitas falhas e goleiro Manuel Neuer tomou cinco gols em uma única partida na Bundesliga pela primeira vez – também por causa da expulsão do zagueiro Jerome Boateng com apenas nove minutos de partida.

Em comum com o time de Flick apenas dois pontos: o primeiro era o faro de gol do artilheiro Robert Lewandowski. O atacante fez o gol de honra do Bayern no jogo e chegou a 14 gols. Foi o primeiro jogador da história a marcar em cada uma das 10 primeiras rodadas do Campeonato Alemão. O segundo era a presença do garoto canadense Alphonso Davies, que completou 19 anos naquele dia, na lateral-esquerda, na sua terceira partida como titular.

A solução para mudar a mentalidade foi caseira. Assim como Kovač, Flick foi jogador do Bayern, entre 1985 e 1990, e era auxiliar do croata. O alemão de 55 anos assumiu como interino após os 5 a 1 e teve méritos ao conseguir devolver ao time uma característica que os grandes esquadrões do Bayern sempre tiveram: a intensidade. E ele deixou isso claro quando foi assumiu o cargo.

“Faremos uma mudança ímpar. Os gols que temos sofrido não eram do tipo que o Bayern costuma sofrer”, garantiu. “É importante que a equipe seja proativa. Precisamos defender desde o campo de ataque e tentar recuperar a bola o mais rapidamente possível. Esses são os pontos que queremos abordar”, completou Flick.

Para ter um time que correspondesse às expectativas, Flick tirou Benjamin Pavard do time, devolveu Joshua Kimmich à lateral-direita e promoveu a entrada de Leon Goretzka, um jogador mais físico e que joga de maneira mais vertical, ao melhor estilo da equipe, para atuar ao lado de Thiago Alcântara no meio-campo. O brasileiro Philippe Coutinho, meia de armação do time de Kovač, também foi para o banco, para a entrada de Ivan Perišić no lado esquerdo do ataque, e puxou Müller para o centro do campo.

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Serge Gnabry comemora gol marcado sobre o Lyon na vitória do Bayern de Munique pela semifinal da Liga dos Campeões – 19/8/2020 Franck Fife/Pool/Getty Images

As mudanças deixaram o Bayern mais forte – fisicamente e tecnicamente – e surtiram o efeito esperado. O time bávaro conquistou a Bundesliga com duas rodadas de antecedência e foi campeão da Copa da Alemanha, eliminando o carrasco de Kovač, o Eintracht Frankfurt, na semifinal. Desde que Flick assumiu, foram 36 jogos, com 33 vitórias, um empate e apenas duas derrotas.

Na Liga dos Campeões, o Bayern aplicou goleadas espetaculares – além dos 8 a 2 sobre o Barcelona nas quartas de final, também fez 7 a 2 no Tottenham, na Inglaterra (em jogo ainda sob o comando de Kovač), e 6 a 0 sobre o Estrela Vermelha, na Sérvia. Venceu todos os dez jogos que disputou na competição e só a vitória sobre o Olympiacos, na Grécia, por 3 a 2 foi por apenas um gol de diferença.

Com o título conquistado no domingo ou não, o time alemão já fez história na Champions. Já é o segundo melhor ataque de uma mesma edição do torneio com 42 gols, somente atrás do Barcelona de 1999/2000, que fez três a mais. A diferença é que o Bayern disputou seis jogos a menos – e mesmo assim ainda pode igualar a marca contra o PSG.

Tem quase o dobro de gols a mais do que o adversário na decisão (os franceses fizeram 25) e números que comprovam a eficiência ofensiva da equipe. É o líder em finalizações com 230 chutes (muito acima do RB Leipzig, o segundo colocado, com 155) e também o time que mais acertou o alvo (99 vezes, contra 65 do Manchester City, que vem logo atrás).

A solidez da equipe potencializou ainda mais o talento do seu camisa 9, um dos favoritos para ficar com o prêmio The Best da Fifa de melhor jogador do mundo no final do ano. Lewandowski marcou incríveis 55 gols em 46 jogos na temporada e ainda distribuiu 10 assistências. Na Champions, são 15 gols e artilharia disparada, com cinco a mais do que Erling Haaland, do Borussia Dortmund. Serge Gnabry, seu companheiro de ataque, fez 9 gols em 9 jogos.

Números que fazem o favoritismo cair no colo do Bayern de Munique na final deste domingo contra o PSG. O futebol apresentado também justifica a pecha de melhor time do mundo, como definiu o colunista de PLACAR Paulo Cezar Caju. Os alemães buscam a sexta taça na Liga dos Campeões contra uma equipe que não venceu a competição nenhuma vez. Pelos craques presentes dos dois lados, será um grande jogo.

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