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Como Di María e Neymar ajudaram Fagner a se tornar o lateral da Copa

Novo titular da seleção se preparou fisicamente após sofrer com o argentino e ganhou confiança ao se destacar diante do brasileiro

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 30 jul 2020, 20h17 - Publicado em 24 jun 2018, 14h07

SOCHI – O lateral Fagner passou de possível cortado a titular da seleção brasileira na Copa do Mundo em um curto espaço de tempo. Duas semanas antes da convocação final, o jogador do Corinthians sofreu uma lesão muscular que colocou sua participação em risco. No entanto, a confiança de Tite foi decisiva e, mesmo ainda lesionado, o lateral de 29 anos ouviu seu nome entre os 23 escolhidos (foi, por sinal, quem mais festejou o chamado, ao lado de seus familiares). Se recuperou já durante a preparação e, devido a mais um golpe do destino (as lesões de Daniel Alves e Danilo), se tornou o titular da equipe desde o jogo contra a Costa Rica. Neste domingo, Fagner concedeu entrevista no centro de treinamento da equipe em Sochi e garantiu estar pronto para o desafio – graças à ajuda de algumas das principais estrelas do futebol mundial.

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo de 2018

Fagner acredita que o fato de ser o único titular a atuar na liga brasileira, bem menos exigente que as europeias, não o afeta negativamente. “Sinceramente, não estou preocupado, porque o nível de enfrentamento que temos na seleção nos treinamentos me mantém em alto nível. Marco Neymar, Douglas Costa, Taison, jogadores de nível altíssimo, que me preparam para momentos como esse”, contou. De fato, Fagner impressionou a comissão nos treinamentos e foi elogiado pelo próprio Neymar por sua qualidade na marcação.

No entanto, foi um craque argentino o principal responsável pelo desenvolvimento de Fagner: Ángel Di María. O encontro aconteceu na única derrota da seleção sob o comando de Tite, 1 a 0 para a Argentina, na Austrália, em 9 de junho do ano passado. Na ocasião, Fagner foi titular e sofreu muito para conter os avanços do rapidíssimo ponta-esquerda do Paris Saint-Germain. Em Sochi, Fagner admitiu que aquela partida o fez repensar sua carreira.

“Depois desse jogo, eu vi o quanto era importante eu estar o mais próximo possível desta intensidade do futebol europeu, por isso procurei evoluir, me preparar mais”, contou, citando o trabalho físico especial que realizou no Corinthians. “Me senti muito bem no jogo contra a Costa Rica, mesmo vindo de um longo tempo sem atuar, porque aqui na seleção eu treino com os melhores do mundo, o nível de concentração tem de ser muito alto.”

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Fagner foi questionado sobre o peso histórico de sua posição na seleção brasileira, por onde passaram dois capitães (Carlos Alberto Torres e Cafu) e se disse honrado. “É motivo de muita felicidade. Sei dos grandes jogadores que passaram pela posição, é motivo de orgulho. Busco melhorar cada dia, estar bem e se tudo der certo deixar meu nome na história.”

O jogador do Corinthians evitou comparações com o estilo de jogo de Daniel Alves e contou como viveu seu primeiro jogo em uma Copa do Mundo. “É difícil me comparar com o Daniel, ele é um excelente jogador. Procurei fazer o que estou acostumado no meu clube, fazer o básico, ir ganhando confiança no jogo e fiquei feliz em como as coisas se desenrolaram.”

A situação de Danilo, que iniciou a Copa como titular e teve uma lesão no quadril na véspera do último jogo, segue indefinida. O médico da seleção, Rodrigo Lasmar, não quis dar um prazo para seu retorno. Segundo Fagner, Marquinhos e Fernandinho são, no momento, as opções de improviso, caso ele não aguente os 90 minutos de algum jogo.

“No início do segundo tempo contra a Costa Rica, o Sylvinho (auxiliar) perguntou se eu estava me sentindo bem, e pediu para que eu avisasse se eu estivesse cansando, mas consegui aguentar bem. Quem poderia entrar no meu lugar dependeria da estratégia do jogo, acho que o próprio Tite comentou que poderia usar Marquinhos ou Fernandinho, mas depende do que ele quiser para o jogo.”

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O Brasil treinou neste domingo em Sochi, mais uma vez com os desfalques de Danilo e Douglas Costa, que também sofreu um problema muscular e não tem prazo para retornar às atividades. Como a imprensa pôde acompanhar apenas o aquecimento, Tite não deu pistas sobre a escalação que enfrentará a Sérvia na quarta-feira, em Moscou. Fagner também evitou falar sobre a possibilidade da entrada de Renato Augusto. “Ele é um excelente jogador, muito inteligente, tem uma leitura muito grande do jogo. Mas isso é uma questão para o professor decidir.”

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