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Clubes da Série A anunciam criação de liga para organizar o Brasileiro

Após crise envolvendo o presidente Rogério Caboclo, dirigentes se unem por maior influência no futuro da CBF e na principal competição do país

Por Klaus Richmond Atualizado em 17 jun 2021, 11h03 - Publicado em 15 jun 2021, 16h25

Dezenove dos 20 clubes que compõem a Série A do Campeonato Brasileiro – a exceção é o Sport, que está sem presidente – assinaram nesta terça-feira, 15, no Rio de Janeiro, um documento que postula, principalmente, a criação imediata de uma liga de futebol no país para organizar o Campeonato Brasileiro, atualmente sob tutela da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A entidade ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto. A informação foi, inicialmente, publicada pelo Ge.com.

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O documento será entregue formalmente em reunião nesta tarde, no primeiro encontro desde o afastamento do presidente Rogério Caboclo por 30 dias por decisão do Conselho de Ética da CBF pela acusação de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade.

No início da carta, os dirigentes justificam que o ato é motivado por “diversos acontecimentos que vêm se acumulando ao longo dos anos e que revelam um distanciamento total e absoluto entre os anseios dos clubes que dão suporte ao futebol profissional brasileiro e a forma como é gerida a CBF”.

“A formação da Liga é um momento histórico para o futebol brasileiro. Pela primeira vez vemos essa grande evolução, com os presidentes de todos os clubes demonstrando unidade em prol da criação de novo calendário, investimentos e receitas”, afirmou Walter Dal Zotto, presidente do Juventude.

“O objetivo principal dessa liga é garantir novas receitas para que os clubes aumentem os seus recursos e tenham uma vida financeira mais saudável, com a possibilidade de organizar um calendário favorável aos interesses das instituições. Os clubes e presidentes se uniram, em um momento histórico, para retomar o que já ocorreu em outros momentos, agir para que o futebol brasileiro se organize melhor e construa um ambiente de governança, respostas rápidas e novas receitas, com um calendário adequado”, acrescentou o presidente do Internacional, Alessandro Barcellos.

O desejo da criação de uma liga com maior autonomia dos clubes é assunto prioritário, mas não será a única requisição levada aos dirigentes da entidade. No documento, outros três itens também são abordados. Entre eles, o pedido de alterações estatutárias que permitam aos clubes maior participação nas decisões institucionais e na própria gestão da CBF.

Os clubes também pedem para que seja incluída a votação igualitária nas eleições para escolha do presidente e vice da entidade, atualmente sob o comando do presidente interino Antonio Carlos Nunes. “Federações e Clubes das Séries A e B terão seus votos contados de forma unitária e com o mesmo peso entre si”, cita um trecho do documento.

  • “Os clubes entenderam que precisavam assumir cada vez mais o protagonismo no futebol brasileiro, participando mais ativamente do processo de escolha do presidente e do vice da CBF, com votos igualitários entre federações e times da Série A e Série B. Além disso, a criação de uma liga tem o objetivo de maximizar receitas, ofertar um produto de maior qualidade e maiores vantagens comerciais. Se os alemães, espanhóis e italianos fazem isso, nós brasileiros também podemos fazer. Essa mudança também é positiva para a CBF, que terá um processo eleitoral mais democrático e participativo, com melhorias na Série A”, explicou o presidente do Fortaleza, Marcelo Paz.

    Atualmente, os clubes só participam da Assembleia Geral Eleitoral, utilizada para a escolha do presidente e dos vices, mas com peso menor nas votações se comparados as 27 federações locais. Os votos dos clubes da Série A tem peso 2, enquanto os da Série B apenas peso 1, totalizando, no máximo, 60 votos. As federações, por sua vez, têm peso 3 e totalizam 81 votos.

    O estatuto da CBF diz que é facultativo à entidade admitir a criação de ligas para integrarem o seu calendário anual de eventos. Para o seu reconhecimento, as ligas devem submeter os seus estatutos para aprovação da entidade, também obrigatoriamente passando pelo crivo da Fifa, Conmebol, CBF e das federações locais. Precisarão, portanto, de amplo apoio para consolidar o projeto.

    Na Europa, os grandes campeonatos nacionais, como LaLiga e Premier League, há muitas décadas são geridos por ligas dos clubes, independentes da federação, que, por sua vez, gere apenas as seleções e outros torneios menores. A Liga dos Campeões, no entanto, é organizada pela Uefa, fato que motivou forte controvérsia em 2021 com a frustada tentativa de criação da Superliga Europeia.

    Os clubes remanescentes do projeto original da Superliga Europeia ainda travam queda de braço com a Uefa para a consolidação de um modelo próprio de competição, que possa gerar mais receitas. A entidade estuda a abertura de um procedimento disciplinar contra Real Madrid, Barcelona e Juventus. Os clubes, por sua vez, planejam uma espécie de contra-ataque, a criação de um modelo reestruturado do torneio, aberto a demais equipes do continente.

    O projeto foi lançado inicialmente por doze importantes clubes do continente e pretendia fazer oposição ao tradicional torneio da entidade, mas naufragou, sobretudo, após críticas no que diz respeito ao mérito esportivo, pois não contaria com rebaixamento ou qualificação, assegurando sempre vaga e privilégios aos clubes fundadores.

    Após a repercussão e uma série de protestos, os clubes ingleses e, posteriormente, a maior parte dos que estavam inseridos no projeto entenderam que era necessário deixar o modelo recém-criado.

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