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Chile e Peru: a rivalidade sul-americana que transcende o futebol

Países vizinhos travaram uma guerra no século XIX que ainda repercute dentro de campo. Nesta quarta-feira, duelam por uma vaga na final da Copa América

PORTO ALEGRE – Nesta Copa América, o maior clássico da América do Sul aconteceu antes do previsto. Graças ao início errático da Argentina, o time de Messi se encontrou com a seleção brasileira na semifinal da competição e acabou derrotado na noite de terça por 2 a 0. O confronto do outro lado da chave, entretanto, reserva um duelo de inimigos históricos. Peru e Chile travaram uma das piores guerras do continente no século XIX, as cicatrizes estão expostas até hoje e aparecem frequentemente dentro de campo. Na noite desta quarta-feira, 3, os rivais se enfrentam na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, para saber quem enfrenta os brasileiros na decisão do torneio.

Tabela completa de jogos da Copa América 2019

A razão da animosidade entre os dois países se dá por conta da Guerra do Pacífico. Entre 1879 e 1883, o Chile lutou contra uma aliança entre Peru e Bolívia por uma região rica em recursos minerais, como salitre e guano. Os chilenos saíram vitoriosos do confronto e tomaram dos peruanos a região de Tarapacá e as cidades de Arica e Tacna (que foi devolvida depois). Para Bolívia foi ainda pior, pois perdeu Antofagasta e sua única saída para o Oceano Pacífico, um assunto complicado até hoje. “O Chile é o nosso rival histórico. Existe uma rivalidade extra”, admitiu o centroavante Paolo Guerrero, jogador do Internacional.

O conflito pode ter sido resolvido há mais de 100 anos, mas os jogos entre Peru e Chile mostram o tamanho da inimizade. Em 2015, ano do primeiro título chileno, o clássico aconteceu nesta mesma fase semifinal. O Chile sediava o torneio e venceu por 2 a 1 com dois gols de Eduardo Vargas. Pouco depois visitou o Peru para uma partida das Eliminatórias. A torcida da casa vaiou a execução do hino dos visitantes e provocou bastante os rivais. O Chile acabou vencendo por 4 a 3 e deixou um recado nas paredes do vestiário: “Respeito! Por aqui passou o campeão da América”.

No duelo desta quarta-feira, o Chile entra de olho em uma marca histórica. É o atual bicampeão do torneio e tenta repetir o feito da Argentina entre os anos 1945 e 1947: ganhar três títulos seguidos. “Queremos ficar na história como tricampeões, é o nosso sonho. Por isso diante do Peru queremos fazer a melhor partida da competição, será algo histórico para nós se passarmos à final e esse é nosso objetivo”, disse o meio-campista Arturo Vidal, que participou das conquistas das Copas Américas de 2015 e 2016.

O lateral da seleção peruana e do Flamengo Miguel Trauco admitiu que o rival é o favorito, inclusive ao título. “O Chile é o favorito para ser campeão pelo futebol que vem mostrando. Temos que respeitá-los, tem jogadores de muita qualidade. Mas obviamente nós estamos crescendo e temos que seguir sustentando este ritmo e a atitude que mostramos contra o Uruguai”, afirmou.