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Casos de Covid-19 na MLB servem de alerta para a volta do Brasileirão

O beisebol mal voltou nos Estados Unidos e já teve jogos adiados pela pandemia; exemplo chama a atenção pela similaridade com protocolo brasileiro

Por Danilo Monteiro - 29 jul 2020, 17h29

O Campeonato Brasileiro que se inicia na próxima semana será bem diferente do que estamos acostumados. Afinal, ele começará em meio à pandemia de coronavírus, que segue matando cerca de 1 000 pessoas por dia no país. A análise das 60 páginas do protocolo sanitário da CBF e de exemplos mundo afora trazem uma certeza inquietante: na disputa do torneio nacional de futebol, os atletas estarão expostos a muito mais riscos do que os jogadores que retornaram aos gramados na Europa.

Um exemplo de como as coisas podem dar errado aconteceu esta semana nos Estados Unidos. Na última quinta-feira, a Major League Baseball (MLB), a maior liga profissional do esporte, começou respaldada por um extenso protocolo sanitário. Bastaram apenas três dias para o plano de segurança dar errado: o Miami Marlins teve 11 atletas e dois técnicos diagnosticados com Covid-19 e foram obrigados a ficar isolados na Filadélfia, onde enfrentaram os Phillies no final de semana.

A situação piorou com casos positivos no New York Yankees, Cincinnatti Reds, Chicago White Sox e Boston Red Socks – fora o problema da infecção em massa, o calendário das partidas já sofreu duros baques. As longas viagens e controle relativamente brando sobre o isolamento dos atletas são os principais motivos do efeito “bola de neve” logo na largada da MLB, e lança um sinal de alerta para outras competições, como a NFL e o próprio Brasileirão.

Diferentemente dos campeonatos europeus, nestas ligas as equipes não terão o privilégio de ficarem completamente isoladas em hotéis ou em instalações dos clubes durante a realização da competição, ou seja, o sucesso do protocolo dependerá muito do comportamento dos jogadores em casa, na ida e volta ao estádio e também em viagens.

O fator geográfico no Brasil, assim como nos Estados Unidos, é um problema. Times do Norte e Nordeste, por exemplo, ficarão expostos a percorrer milhares de quilômetros até o Sul do país para jogar. Vale lembrar que cada estado tem uma realidade completamente distinta no controle do da pandemia. Além disso, os dois países estão bem distantes de conseguir controlar o avanço do coronavírus e lideram o número de mortos em decorrência da Covid-19: 151 000 óbitos nos EUA e 88 000 no Brasil.

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O cuidado dos campeonatos europeus com jogadores e técnicos é ainda mais evidente agora, ao final das competições nacionais, com os jogadores voltando para casa e, sem supervisão, se contaminando. Na Espanha, o atacante Mariano Díaz, do Real Madrid, testou positivo na última terça e virou dúvida para as oitavas de final da Liga dos Campeões, na semana que vem. Às vésperas da volta da Liga Europa, o Sevilla anunciou nesta quarta que também teve um atleta diagnosticado. Almería e Zaragoza, da segunda divisão, também têm casos no elenco.

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Os atletas geralmente não fazem parte do grupo de risco da Covid-19, mas a realização de um jogo de futebol do nível da Série A brasileira pode envolver até 300 pessoas, das mais diversas idades e condições de saúde. Embora a média de idade dos técnicos do Brasileirão seja de 48,6 anos em 2020, quatro deles tem mais de 60 anos. Além disso, muitos funcionários, técnicos e até atletas podem se encaixar no grupo de risco por eventuais comorbidades.

Tentando se eximir da responsabilidade, a MLB resolveu abrir a jogadores, técnicos e funcionários a escolha de não participar da atual temporada (algo feito desde o início por outras ligas, como a NBA). Aqueles que conseguirem provar que fazem parte do grupo de risco receberão seus salários integralmente. Quem não tiver impedimentos clínicos e se recusar a jogar não receberá um tostão. O protocolo da CBF não traz qualquer alternativa deste tipo, focando exclusivamente na realização dos jogos.

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