Clique e assine a partir de 9,90/mês

Caso Ronaldinho: Justiça paraguaia ordena captura de empresária

Acusada de comandar esquema de falsificação de documentos, Dalia López está foragida, enquanto Ronaldinho e Assis seguem presos em Assunção

Por Da Redação - Atualizado em 18 mar 2020, 22h43 - Publicado em 18 mar 2020, 21h40

Ronaldinho Gaúcho e seu irmão e empresário, Roberto de Assis, estão presos há 11 dias em Assunção, no Paraguai, acusados de terem utilizado passaportes falsos para entrar no país. Já Dalia López, a empresária paraguaia, suspeita de ter produzido os documentos para os brasileiros, foi declarada foragida pela Justiça local nesta quarta-feira, 18, depois de não ter se apresentado a uma audiência, conforme combinado.

Segundo informações de jornais paraguaios, como o ABC Color, a juíza Lici Sánchez declarou Dalia em “rebeldia” e ordenou sua captura. Na véspera, a defesa da empresária tentou adiar a audiência alegando que a cliente sofre de problemas de saúde como diabetes e pressão alta e, por isso, corria riscos de contrair coronavírus. A empresária não informou sua localização à polícia, que agora está autorizada a encontrá-la e apreendê-la.

Já a estadia de Ronaldinho e Assis na Agrupação Especializada de Assunção deve durar mais alguns dias. Segundo informações do portal Globoesporte.com, a perícia nos celulares dos irmãos deve demorar ao menos uma semana para ser concluída. Os dois são mantidos em uma cela com televisão, geladeira, fogão e ar-condicionado e desfrutam de boa relação com os outros detentos – Ronaldinho chegou a disputar e vencer um campeonato interno de futsal –,mas já começam a se queixar do tempo prolongado no local.

Diversas suspeitas – Como mostrou reportagem da última edição de VEJA, a Justiça paraguaia apontou conexão do caso de Ronaldinho com outras investigações abertas pelo governo, entre elas uma da Subsecretaria de Estado de Tributação (a Receita Federal do Paraguai) que apura a movimentação de mais de 10 milhões de dólares nos últimos cinco anos por oito empresas ligadas à milionária Dalia López.

Continua após a publicidade

Dalia é uma espécie de “nova-rica” da região de San Pedro, conhecida pelos altos índices de pobreza e por suas extensas plantações de maconha junto com os estados de Amambay e Canindeyu. Oficialmente, ela é dona, junto com o marido, da holding Permanent Oriental. Em seu cadastro, constam atividades como transportes, móveis, equipamentos de computador, educação, impressão e comunicação. Em uma visita ao Senado brasileiro em outubro do ano passado, a empresária se apresentou como uma das “maiores importadoras e exportadoras do Paraguai”.

“Mas não disse em que ramo trabalhava. Ela queria fazer uma exposição sobre o Paraguai no Congresso, que acabou não acontecendo”, afirmou o senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo Bolsonaro no Congresso e presidente da Frente Brasil-Paraguai. Dalia se apresenta também como uma grande filantropa que doa dinheiro a ONGs e times de futebol, além de organizar carreatas pelo país oferecendo serviços médicos aos “povos indígenas e mais carentes”. “O principal negócio dela é vender fretes aéreos a empresas que querem importar mercadorias do Paraguai ou exportar para lá”, disse a VEJA Marcos Estigarribia, advogado de Dalia.

A ANFITRIÃ – Dalia López: voos de helicóptero e contatos com políticos ./.

Foi a influência da empresária junto a políticos do país que chamou a atenção das autoridades — há fotos em que ela aparece ao lado do atual presidente, Mario Benítez, o Marito, e do prefeito de Assunção, Óscar Rodriguez. Dalia também era próxima de personalidades do futebol, como Ronaldinho. Suspeita-se que essas ações serviam de fachada para esconder as reais intenções do grupo.

No fim do ano passado, Dalia se encontrou com Ronaldinho Gaúcho na mansão dele no Rio de Janeiro para acertar detalhes sobre os negócios no país vizinho. Em suas andanças por aqui, ela contava com a ajuda de Wilmondes e Paula Lira, o casal que entregou em mãos os passaportes falsos a Ronaldinho e seu irmão. Os dois agiam como intermediários da empresária paraguaia e também estão presos por lá. No ano passado, Wilmondes e Paula abriram uma empresa chamada Brasil Paraguai Investimentos.

Continua após a publicidade

Os investigadores querem saber agora que tipo de empreitada a turma planejava fazer no país. Descobriu-se que os irmãos Assis depositaram cerca de 40 000 reais num banco público do Paraguai para conseguir a cidadania de lá, em janeiro deste ano. Ou seja, eles iniciaram um processo legal para obter os passaportes que lhes permitiriam abrir empresas no país, mas, por algum motivo, optaram pelo caminho mais fácil — e ilegal.

Após pedir a manutenção da prisão dos irmãos Assis por risco de fuga para o Brasil, o procurador Osmar Legal assinalou que eles são suspeitos de “outros crimes”, além do uso de documento falso — os delitos seriam lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Há indícios ainda não confirmados de que a empresária Dalia mantinha um esquema clandestino de câmbio, no qual ela repassava dólares ao Brasil por meio de caminhões que transportavam cigarros para o país. Ronaldinho e Assis estariam firmando com ela um acordo para entrar como sócios no negócio.

Os advogados de Ronaldinho negam as irregularidades. Exagerando na ingenuidade de seu cliente, sustentam que ele e o irmão não sabiam que os passaportes eram falsos. Segundo essa versão, eles receberam os documentos como um presente de Dalia. Com detenção preventiva decretada por seis meses, os irmãos Assis tentaram mudar o regime para prisão domiciliar, mas todos os pedidos foram negados até o momento.

Publicidade