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Caso encerrado: a data de fundação do São Paulo Futebol Clube

Livro assinado por pai e filho reestabelece uma verdade querida aos tricolores – e relevante também para quem se interessa pelos primeiros anos do século XX

Por Fábio Altman - Atualizado em 27 jan 2020, 16h06 - Publicado em 27 jan 2020, 15h59

Em poucas atividades humanas a comunhão entre pais e filhos é tão genuína quanto no interesse por um esporte – e, quando olhamos para o Brasil, nada é mais fraterno, território de vínculos inquebrantáveis, do que o futebol. Pais e filhos nas arquibancadas, vestidos a caráter, é cena comum, e por meio dela é quase possível enxergar toda uma história de vida, muitas vezes de gerações. Ou, como já ensinou o poeta romântico inglês Willian Wordsworth (1770-1850), depois citado por Machado de Assis (1839-1908) em Memórias Póstumas de Brás Cubas, “o menino é o pai do homem”. Mais raro é um genitor dar as mãos ao herdeiro e, juntos, nas páginas de um livro, tratarem de responder, de uma vez por todas, antigas indagações – questões que, se passaram pelo sangue, é porque são relevantes. Afinal de contas, já disse o treinador italiano Arrigo Sacchi, “o futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes de nossas vidas”.

Domingos Antonio D´Angelo Jr., consultor de relações de trabalho, fundador do Memofut (Grupo de Literatura e Memória do Futebol), colecionador atávico, e seu filho, Marcello Antonio D´Angelo, diretor-executivo da BandNews TV, mergulharam num fascinante capítulo dos primórdios do esporte paulistano para escrever A Data de Fundação do São Paulo Futebol Clube (Editora DBA) – não é preciso interromper o texto, embora a interrupção já tenha sido feita, para informar que os dois são tricolores de quatro costados, paixão inaugurada em família nos idos dos anos 1970 , quando Mirandinha ainda jogava, e o pai ia com os três meninos (Marcello era um deles) ao Morumbi, semana sim, semana sim. O livro tem apenas 47 páginas – é um pequeno grande deleite, bem escrito, preciso, sem gorduras, como as anotações de Graciliano Ramos no tempo em que batia ponto como prefeito de Palmeira dos Índios, em Alagoas. O título, com jeitão de anotação de entradas e saídas, não deve e não pode apartar os amantes da pelota e das coisas de São Paulo. É assim, sem osso, sem verbo – A Data de Fundação do São Paulo Futebol Clube  – porque pretende oferecer essa única informação que, não é nada, não é nada, mas é tudo, agita corações e mentes de são-paulinos desde sempre, e que neste fim de semana passado voltou a se espraiar pelas mesas dos bares.

A dúvida: afinal de contas, o São Paulo foi fundado em 25 de janeiro de 1930, há exatos 90 anos celebrados no sábado, agora, ou em 16 de dezembro de 1935? Domingos e Marcello, debruçados em ampla pesquisa histórica, recortes de jornais, acesso a bibliotecas e conversas com quem conhece o assunto, decretam: o clube nasceu em 1930, e ponto final. Está escrito pela dupla: “O primeiro objetivo deste livro é, portanto, acabar com uma polêmica que foi criada unicamente por motivos políticos, que não deveria ter existido, mas que, por divergências partidárias, se manteve por alguns anos. O São Paulo Futebol Clube nunca deixou de existir, passou alguns meses por dificuldades, mas sempre esteve vivo, o que pode ser explicado pela existência de clubes, jogadores, torcedores e dirigentes que mantiveram nestes meses a chama tricolor. O segundo motivo, tão importante quanto o primeiro, é prestar uma homenagem àqueles quinze são-paulinos que em 1935 não mediram esforços para resguardar o espírito guerreiro tricolor e retomar suas atividades”.

Foi assim: o São Paulo, que nascera das costelas do Club Athletico Paulistano e da Associação Atlética das Palmeiras em 25 de janeiro de 1930, atravessou série crise financeira, afastou-se da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), defendida por Getúlio Vargas e, ao cabo de muita confusão, se fundiu com um outro clube, o Tietê. Alguns historiadores anunciaram, portanto, o fim da agremiação no início daquele 1935, com a fusão. Os D´Angelo dizem não, de modo algum: o que houve foi um breve interregno de meses com a retomada – “retomada”, eis a chave – definitivamente lavrada em 16 de dezembro de 1935. Conclusão: “A história se revela, se estuda, se preserva e se comprova através de documentos e fatos”. Posto de outro modo, na defesa do 25 de janeiro de 1930, Domingos e Marcello iluminam alguns embates de origem para justificar a linha de tempo do São Paulo: (1) a história de um dos maiores bancos do país, o Banco do Brasil, que teve suas atividades interrompidas em certo momento, mas que retornou e considera a data de sua fundação a de quando iniciou suas atividades, em 1808; e (2) o Instituto dos Advogados de São Paulo, que não obstante um hiato entre 1891 e 1916, considera sua data de fundação 29 de novembro de 1874.

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Tudo somado, as páginas de A Data de Fundação do São Paulo Futebol Clube ocupam o espaço de PLACAR, porque não há contestação em torno de seu tema, é o esporte de Leônidas da Silva, de Pedro Rocha e Rogério Ceni, mas bem poderia enriquecer os capítulos de política de VEJA. Lembremo-nos: o futebol é a mais importante das coisas menos importantes.

Livro será lançado nesta terça-feira n capital paulista
Livro será lançado nesta terça-feira n capital paulista Editora DBA/Divulgação

O livro será lançado nesta terça-feira, 28 de janeiro, entre 18h00 e 21h00, no restaurante Rufino, em São Paulo (rua Dr. Mário Ferraz, 377).

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