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Brasil x Argentina: superclássico salva uma Copa América melancólica

Duelo entre Messi e Neymar no Maracanã será um ato final de luxo para um torneio pouco relevante no contexto em que foi trazido, às pressas, ao país

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 10 jul 2021, 14h32 - Publicado em 10 jul 2021, 08h00

Brasil e Argentina decidem neste sábado 10, a partir das 21h (de Brasília), no Maracanã a 47ª edição da Copa América. O clássico entre os gigantes do continente será, como sempre, uma atração mundial, ainda mais com a presença de Neymar e Lionel Messi, dois astros da bola que jamais ergueram o troféu o brasileiro, lesionado, estava ausente em 2019, enquanto o argentino ainda persegue, aos 34 anos, a sua primeira conquista com a seleção adulta. Será, sem dúvidas, um espetáculo esportivo de enorme apelo, na contramão de tudo o que ocorreu nos outros 27 jogos da competição enviada, às pressas, para o país de mais de 500.000 mortos por Covid-19.

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Este será também o único jogo da competição com a presença de torcida, ou melhor, de convidados VIP da Conmebol, contrariando a informação que própria entidade que rege o futebol sul-americano forneceu há um mês, de que o campeonato em plena pandemia no Brasil seria realizado inteiramente de portas fechadas. Não foi surpreendente, afinal a aberração já havia ocorrido na última decisão da Libertadores, entre Palmeiras e Santos, em 30 de janeiro.

Do ponto de vista da Conmebol, tudo correu perfeitamente. Com um empurrãozinho crucial do governo Bolsonaro, foi possível evitar o cancelamento da competição após as desistências das sedes originais (Colômbia, devido ao caos político e social, e Argentina, em razão da pandemia), manter os compromissos com patrocinadores e ainda fechar tudo com chave de ouro com um desfile de craques repleto de rivalidade. Houve, no entanto, muita confusão até lá.

Primeiro, a Conmebol recebeu críticas pela forma atrapalhada, além de eticamente discutível, como obteve vacinas junto ao laboratório chinês Sinovac para imunizar atletas e comissão. A falta de organização fez com que a maioria dos atletas não se vacinasse, pois, por lei, isto não poderia ser feito no Brasil, tampouco haveria tempo ou facilidade logística para a aplicação da segunda dose.

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A forma como a competição se transferiu ao Brasil desaprovou até mesmo os atletas da seleção anfitriã. Em um caso dantesco, que envolvia sobretudo a insatisfação do elenco com o então presidente da CBF, Rogério Caboclo, boa parte da população brasileira entrou em uma espécie de delírio coletivo diante do desejo (que existiu) do grupo de que o torneio fosse cancelado. De repente, Tite, Neymar e companhia viraram comunistas, numa discussão que envolveria ainda um conluio para prejudicar o SBT (!), dono dos direitos de transmissão. Uma insanidade que terminou com o afastamento de Caboclo, acusado de assédio, atletas fazendo juras de amor à camisa amarela, e uma sequência de casos de Covid-19 nas equipes participantes.

  • Como se sabe, a bola rolou — ou melhor, quicou. Membros de praticamente todas as seleções reclamaram das péssimas condições dos gramados escolhidos às pressas para sediar os jogos, todos eles em redutos bolsonaristas (RJ, DF, MT e GO). O técnico Tite e o atacante Marcelo Moreno, da Bolívia, foram multados por reclamar da organização. “A bola fica picotada, nervosa. A fluência das jogadas fica toda prejudicada. (…) Se a gente quer um grande espetáculo, temos que dar as condições. Ficou muito prejudicado”, afirmou o técnico da seleção, em uma de suas várias reclamações. 

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    O fato de ter sido realizada simultaneamente à Eurocopa com seus campos perfeitos, além da atmosfera que um estádio com torcedores (vacinados) proporciona , só evidenciou o quanto esta Copa América foi um fiasco. Aqui, não se discutem questões técnicas, mas de organização. A começar pelo fato excesso de edições (esta foi a quarta em seis anos) e pelo regulamento esdrúxulo, que eliminava apenas uma equipe de cada grupo com cinco. Muitos dos jogos, portanto, não valiam de nada. Tampouco havia “clima de Copa” num país mergulhado em uma crise sanitária e institucional. Com razão, a CPI da Pandemia foi muito mais debatida do que os golaços de Messi ou os dribles de Neymar.

    Mas chegamos à final, uma super decisão, a primeira da história entre Brasil e Argentina no estádio mais mítico do continente. O Brasil tem a seu favor o retrospecto histórico e também recente. Sem vencer qualquer taça desde o longínquo ano de 1993, a Argentina confia todas as suas fichas em Messi, artilheiro do torneio com quatro gols, além de cinco assistências, sedento por um título que o consolidaria como herói nacional e afastaria a fama de azarado pela seleção. Amantes do futebol mundo afora, inclusive alguns brasileiros, querem ver Messi erguendo a taça. Neymar, que criticou os compatriotas que torcem contra a seleção, deixou claro que não vai aliviar para o amigo.

    “Sempre falei isso, é o melhor jogador que eu já vi jogar. É um grande amigo que eu tenho, só que estamos numa final, somos rivais agora e eu quero vencer, quero trazer esse título, que é meu primeiro também (de Copa América). Sei que o Messi está há muitos anos buscando seu primeiro título com a seleção. A amizade vai ficar um pouquinho fora das quatro linhas dessa vez, mas o respeito é muito grande”, afirmou o camisa 10 brasileiro. Em busca de seu 10º título (a Argentina tem 14) o Brasil não terá o atacante Gabriel Jesus, que pegou dois jogos de gancho por sua expulsão contra o Chile, nas quartas de final. O jogo começa às 21h, com transmissão do SBT e da ESPN Brasil. 

    Decisão da Copa América contará com público -
    Decisão da Copa América contará com público – Conmebol/Divulgação
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