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Bolsonaro defende volta do futebol: ‘Desemprego bate à porta dos clubes’

Presidente disse ainda que atletas profissionais correriam risco "infinitamente pequeno" de morrer de Covid-19

Por Da Redação - Atualizado em 30 Apr 2020, 19h07 - Publicado em 30 Apr 2020, 18h53

O presidente Jair Bolsonaro defendeu abertamente a retomada do futebol no Brasil, a despeito da crescente pandemia de coronavírus – nesta quinta-feira 30, o Ministério da Saúde informou que o país bateu um recorde de 7.218 casos confirmados de Covid-19 nas últimas 24 horas. Segundo Bolsonaro, os campeonatos, que estão suspensos desde o início de março devem ser reiniciados com portões fechados. Ele disse ainda que, por serem jovens e atléticos, os jogadores correm risco “infinitamente pequeno” de morrer caso sejam infectados.

Em entrevista à Rádio Guaíba, Bolsonaro afirmou que o Ministério da Saúde e a Anvisa devem emitir parecer favorável para que as atividades esportivas sejam retomadas. Assim como faz para defender o relaxamento das normas de isolamento social, o presidente citou razões econômicas. “No momento, já há muita gente que entende, que está no meio futebolístico, que é favorável à volta porque o desemprego está batendo à porta dos clubes também.”

“Muitas vezes a gente tem o pensamento de que todo jogador ganha horrores. Não, a maior parte não ganha bem e precisa do futebol para sustentar sua família. Estão passando necessidade. Não sou eu que vou abrir ou não o futebol, mas já conversei com o ministro da Saúde para dar um parecer um nesse sentido, para que o futebol volte sem torcida. Então, da nossa parte, esse parecer deve ser feito, como acertado com o ministro Nelson Teich e como parece que também a Anvisa vai dar um parecer nesse sentido.”

O presidente, que no fim de março chegou a dizer que “por ter histórico de atleta” não corria riscos – uma posição que não se sustenta em dados científicos – voltou a defender sua tese. “Com essa idade jovem, o jogador, caso seja acometido do vírus, tem chance infinitamente pequena de partir para a letalidade. Até pelo estado físico, pela higidez que tem esse atleta. Eles têm de sobreviver.”

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Bolsonaro confirmou ter conversado com o presidente da CBF, Rogério Caboclo, e com o secretário-geral da entidade, Walter Feldman, além do técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, um declarado eleitor seu, que, no entanto, não se mostrou favorável ao retorno das atividades.

“Sim, algumas vezes eu liguei para o Renato Gaúcho para exatamente ter informações sobre o que pensa o atleta no tocante a voltar o futebol ou não. Como também tenho conversado com o senhor Caboclo e o Feldman, da CBF. A decisão de voltar o futebol não é minha, não é do presidente da República. Mas nós podemos colaborar. Desde lá de trás, quando conversei com o Renato Gaúcho a primeira vez, eu falei: ‘Renato, por mim volta’. Ele falou que há um sentimento entre os jogadores de que não pode voltar agora, porque o povo estava apavorado. Ainda está apavorado”, disse Bolsonaro.

“Fizeram uma campanha enorme de terror junto à população no tocante ao vírus, como se nós pudéssemos ficar livre dele, como se o vírus fosse matar todo mundo. Esse vírus é letal para quem tem comorbidade e para quem tem idade avançada. Esse tem que ter um cuidado todo especial. Quanto aos jogadores, até falei para o Renato na época, e com o estádio fechado, ele falou ‘presidente, a questão é dos jogadores’. Então, a gente respeita, até porque não sou eu que vou abrir ou não o futebol”, completou.

Assim como ocorreu na imensa maioria dos países, os campeonatos no Brasil estão parados há quase dois meses. Os clubes deram férias coletivas, que terminaram nesta semana, e tomaram medidas para minimizar a crise financeira causada pela pandemia. Nesta quinta-feira, 30, Palmeiras e Corinthians seguiram o modelo de outros clubes, como Atlético Mineiro, e anunciaram a redução de 25% do salário dos atletas, para que outros funcionários não sejam prejudicados.

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Na última terça-feira 20, a CBF divulgou uma nota oficial na qual não deu pistas sobre a data do retorno das atividades. Deixou, claro, no entanto que o objetivo é encerrar os Estaduais antes de iniciar o Brasileirão.

“O compromisso das entidades é construir um calendário e protocolos para a retomada gradual das competições, a começar pelos campeonatos estaduais, ainda sem data definida. Ficou assegurada a autonomia das Federações Estaduais na condução dessas medidas junto às autoridades de saúde, respeitando as características e o momento vivido por cada Estado em relação à pandemia. O primeiro passo será a retomada dos treinamentos por parte dos clubes, o que poderá ocorrer a partir do momento em que se encerrarem as férias coletivas dos atletas”, diz trecho da nota.

Nos bastidores, os clubes admitem os danos financeiros, mas concordam que ainda é muito cedo para pensar em retomada do futebol. Nem mesmo na Europa, onde o número de casos de Covid-19 vêm caindo dia após dia, a bola voltou a rolar. Nesta manhã, a liga francesa decretou seu encerramento, declarando o PSG, então líder, como campeão. As expectativa mais otimistas da Uefa é que os clubes possam voltar a treinar normalmente ainda em maio e que os campeonato sejam retomados em junho, com portões fechados.

 

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