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Boca x River: rivais abrem ‘maior final da história’ na Bombonera

Em clima de festa e tensão, maiores clubes da Argentina decidem a Copa Libertadores pela primeira vez. Jogo começa às 18h (de Brasília)

Portenhos são tradicionalmente dramáticos e exagerados, mas não se pode considerar absurda a maneira como vem sendo tratada na terra do tango a partida deste sábado entre Boca Juniors e River Plate: “a maior final de todos os tempos” ou ainda “o duelo do fim do mundo”. Os eternos rivais de Buenos Aires se encontrarão, a partir das 18h (de Brasília), em uma final de Copa Libertadores pela primeira vez na história. Será o ponto mais alto e apimentado de uma rivalidade de mais de 105 anos, um jogo que paralisará a Argentina (mais de 70% da população torce por Boca ou River) e receberá atenção mundial.

Mesmo antes de a final ser consolidada, com as eliminações de Palmeiras e Grêmio nas semifinais, o presidente argentino Maurício Macri, definiu bem a relevância do jogo: “O time que perder demorará 20 anos para se recuperar”, afirmou à rádio FM La MecaMacri, que também é ex-presidente do Boca, consultou órgãos de segurança e tentou derrubar a lei de torcida única em clássicos para que “a festa fosse completa”. Mas a ideia não agradou os clubes e a final deste sábado terá apenas torcedores xeneizes (conheça a história dos apelidos dos times) na Bombonera. O jogo de volta acontece dia 24, no Monumental de Núñez. 

Nem na Liga dos Campeões da Europa se viu uma rivalidade tão intensa e barulhenta – como poderia ser um Barcelona x Real Madrid, Milan x Inter ou Liverpool x Manchester United -, numa final. O mais próximo disso foram as decisões entre Atlético de Madri e Real Madrid (em 2014 e 2016), Juventus e Milan (2003) e Bayern de Munique e Borussia Dortmund (2013). Nada que se compare à tensão que os clássicos na Bombonera ou no Monumental de Núñez produziram ao longo das últimas décadas.

“Acredito que hoje Boca e River chegaram a um degrau importante destacar. Aconteça o que acontecer nestas finais, pusemos o futebol argentino no topo. Hoje o mundo fala desta final, e a verdade é que se trata de uma grande conquista”, afirmou o técnico do Boca, Guillermo Barros Schelotto, que venceu o torneio quatro vezes como jogador do clube. “Essa era a partida que eu gostaria de ter jogado”, completou.

Do lado rival, o treinador e ídolo Marcelo Gallardo, que venceu a Libertadores pelo River como jogador, em 1996, e treinador, em 2015, estará ausente. Ele foi punido por ter infringido as normas da Conmebol na semifinal diante do Grêmio, em Porto Alegre, e foi novamente suspenso – para esta partida, está proibido até de ir à Bombonera. Gallardo ressaltou que não se trata de uma partida qualquer, mas quis passar uma mensagem de paz aos torcedores.

“Além do fato histórico de enfrentarmos um rival de toda vida, em um acontecimento único, é um espetáculo esportivo, temos de vivê-lo assim. Transmitamos que é um jogo de futebol com várias matizes, mas não precisa passar disso”, destacou Gallardo. “Acredito fervorosamente que temos que pensar que isso é um espetáculo esportivo único, não passa disso. Não é vida ou morte, é uma mensagem errônea isso, muito ruim para a nossa sociedade”, completou.

Prováveis escalações

O Boca Juniors tem apenas um desfalque certo, o goleiro Andrada, que ainda se recupera da fratura de mandíbula sofrido em choque com o zagueiro Dedé, do Cruzeiro, pelas quartas de final da Libertadores. O meio-campista Pablo Pérez vem sentindo dores musculares, mas dificilmente ficará fora. Apesar de ter sido o herói nas duas partidas da semifinal contra o Palmeiras, Darío Benedetto deve seguir na reserva de Ramón Ábila, ex-jogador do Cruzeiro.

No River, o capitão Ponzio está fora por contusão, e há mistério em relação ao substituto. Zuculini e Fernández são as opções. O atacante Ignacio Scocco, ex-Internacional, tem problemas físicos e deve ser substituído por Lucas Pratto, contratado neste ano junto ao São Paulo. O árbitro da partida será o chileno Roberto Tobar, auxiliado pelos compatriotas Christian Schiemann e Claudio Ríos. O também chileno Julio Bascuñan será o responsável pelo VAR.

Boca Juniors: Rossi; Jara, Izquierdoz, Magallán e Olaza; Nández, Barrios, Pablo Pérez (ou Almendra); Pavón, Villa e Ábila (ou Benedetto). Técnico: Guillermo Barros Schelotto.

River Plate: Armani; Montiel, Maidana, Pinola e Casco; Palacios, Enzo Pérez, Zuculini (ou Fernández) e Pity Martínez; Pratto e Borré. Técnico: Matías Biscay.

(com agência EFE)