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Blur x Oasis: final da Champions acirra velha rivalidade no rock inglês

Confronto em Portugal relembra a batalha do Britpop, nos anos 1990: os 'mauricinhos' de Chelsea diante dos 'operários' de Manchester; e agora, quem vence?

Por Klaus Richmond Atualizado em 29 Maio 2021, 11h54 - Publicado em 29 Maio 2021, 10h21

Existe uma velha máxima, ou mero clichê, que diz que futebol, música ou religião não se discutem. Tente agora convencer a torcedores, apaixonados por música ou convictos sobre qualquer tipo de crença sobre isso. Foram duas dessas primeiras paixões que embalaram a Inglaterra há pouco mais de 25 anos e retomam com toda a força neste sábado, 29, na decisão inglesa da Liga dos Campeões entre Manchester City e Chelsea, às 16h, no estádio do Dragão, na cidade do Porto.

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A final reascendeu um gigante adormecido: a rivalidade entre as bandas Blur (formada por torcedores do Chelsea) e Oasis (fãs do City). a chamada batalha do Britpop – nome dado ao movimento de um novo estilo musical que revolucionou o país –, disputada durante a década de 1990 com nuances de um jogo entre rivais com estádio lotado (algo ainda não permitido agora devido as restrições provocadas pela pandemia da Covid-19).

A rixa entre os “bons moços” ou “mauricinhos” do Blur e os “bad boys” ou “operários” de Manchester se deu pela coexistência. Liderada pelo vocalista Damon Albarn, o Blur nasceu primeiro, em 1991, com seus primeiros sucessos lançados naquele mesmo ano, mas se viu incomodada, em 1994, pela petulância dos irmãos Liam e Noel Gallagher, do Oasis, conhecidos pelo gênio indomável e brigas entre si.

  • “Do lado do Blur, o vocalista, Damon Alborn, também não levava desaforo para casa e logo começou essa rivalidade. Qual é a grande banda de rock inglês deste final de século? E foi uma batalha dura com singles sendo lançados nos mesmos dias, com álbuns em datas muito parecidas para ver qual tinha o maior alcance, a maior vendagem. No final das contas diz-se que o Blur ganhou uma batalha, o Oasis ganhou a guerra com o álbum em que eles lançaram e tem [a música] Wonderwall, por exemplo, mas que no final da campanha quem levou a melhor foi o Blur, que enquanto o Oasis se destruiu sozinho com a briga dos irmãos Gallagher, o Blur viveu um hiato, mas seguiu a carreira, conseguiu permanecer existindo”, disse a PLACAR o crítico musical Pedro Antunes, colunista do Uol.

    Liam Gallagher (Oasis) encarando Damon Albarn (Blur) durante um torneio amistoso, em 1996 -
    Liam Gallagher (Oasis) encarando Damon Albarn (Blur) durante um torneio amistoso, em 1996 – David Cheskin/PA Images/Getty Images

    Eram comuns em entrevistas as cutucadas e troca de farpas gratuitas entre eles. Em 14 de agosto de 1995, a batalha ficou ainda mais quente quando ambos lançaram singles no mesmo dia: Roll with it, do Oasis, contra Country House, do Blur. Cada vez mais, os nortistas do Oasis, contra os sulistas do Blur.

    Em uma das batalhas, o site Popload conta que o Blur chegou a colocar um de seus singles à venda pela metade do preço do lançamento do Oasis: 0,99 libras contra 1,99. A estratégia surtiu efeito. No fim, acabou vencendo em termos de vendas, com mais de 58.000 cópias do rival: 274.000 contra 216.000.

    A batalha entre Blur e Oasis esquentou a Inglaterra -
    A batalha entre Blur e Oasis esquentou a Inglaterra – Reprodução/Instagram

    “É claro que a imprensa britânica gosta de criar factoides e rivalidades, foram eles os responsáveis por uma das maiores rivalidades do rock, por exemplo, entre Beatles e os Rolling Stones. Eles não precisavam ser inimigos, ou rivais, mas isso vendia tabloides. E isso aconteceu nos anos 1990 quando o Blur já era uma banda razoavelmente estabelecida, principalmente em solo inglês, e foi tomado pela onda chamada Oasis que mexeu com as estruturas da música pop inglesa, liderada por dois irmãos falastrões que eram um prato cheio para a imprensa”, explica Antunes.

    Passados anos da disputa, os lados atenuaram os discursos e atribuíram a rixa a gravadores e aos tabloides da época. Eles, curiosamente, chegaram a dividir palco em um evento beneficente para ajudar crianças com câncer, em 2013.

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    A relação com o futebol

    Noel Gallagher e Pep Guardiola na comemoração do título de 2018 -
    Noel Gallagher e Pep Guardiola na comemoração do título de 2018 – Michael Regan/Getty Images

    No futebol, foi comum a presença dos irmãos Gallagher em partidas do City, até mesmo na época em que o time andou pela segunda divisão do país. Durante as comemorações de títulos recentes, já com aporte bilionário dos Emirados Árabes, é sempre possível reparar a figura recorrente de Noel. Em uma delas, ficou registrado um abraço em Pep Guardiola. Curiosamente, foi ele o responsável por entrevistá-lo logo em sua chegada ao clube.

    “Teve uma fase em que toda vez que ia ao estádio o City perdia. Devo ter assistido a dez derrotas consecutivas do time quando ia à Maine Road”, contou Gallagher, em entrevista à Sky Sports. Ironicamente, quando vivia o ápice da batalha com o Blur, a equipe era rebaixada, em 1996. Tamanho era o amor pelo clube que chegou a fazer shows com bandeiras do City em diversos países.

    Damon Albarn ao lado de Frank Lampard, ídolo do Chelsea -
    Damon Albarn ao lado de Frank Lampard, ídolo do Chelsea – Darren Walsh/Chelsea FC/Getty Images

    Do outro lado, Graham Leslie Coxon, considerado um genial guitarrista, é o mais fanático do lado Blur pelo Chelsea. Albarn também era comumente visto com a camisa do clube. Em 1995, no clipe de Country House, é possível ver o músico lendo um jornal com uma página falando sobre o Chelsea. Além disso, o Blur lançou a trilha sonora mais famosa da história dos games futebol Fifa, a Song 2, do jogo Fifa:Road to World Cup 98. 

    Em um festival amistoso em 96, chamado Soccer 6 Trophy Cup, o time do Blur jogou todo de azul, com Albarn vestindo a camisa número 25, então usada pelo italiano Gianfranco Zola, principal ídolo da equipe na época. O Blur foi campeão do torneio. Ele conta hoje que a filha é, até hoje, fã incondicional do atacante espanhol Fernando Torres, bastante criticado em Londres.

    “Diferentemente do lado do futebol, nunca houve uma rivalidade tão gigantesca assim entre os azuis de Manchester e os azuis de Londres, mas a história vale para levar a gente para esse lugar, para o final da década de 1990 quando o mundo parou para ver qual era a maior banda de rock: Blur ou Oasis? Agora o mundo vai parar para ver qual é o maior time do mundo, se é o Manchester City ou o Chelsea. Na história da música quem se deu melhor foi o Blur, o Chelsea. Será que se repete no final da Champions?”, conclui Pedro Antunes.

    O City busca um inédito título em sua história, enquanto o Chelsea, campeão em 2012, tenta aumentar a sua posição entre os grandes europeus. A equipe de Manchester já ganhou dois títulos nesta temporada: o da Premier League, o Campeonato Inglês, e o da Copa da Liga Inglês, mas tem um adversário que virou quase indestrutível desde a chegada do técnico alemão Thomas Tuchel. Que música irá tocar no fim?

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