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Benzema, de coadjuvante de luxo a líder e craque do Real Madrid

Atacante francês parece viver seu auge técnico aos 32 anos e se consolida como um dos melhores e mais completos jogadores de sua geração

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 29 Jun 2020, 11h46 - Publicado em 29 Jun 2020, 11h29

“Sua qualidade não é de camisa 9, é de 10”. Uma das melhores definições sobre o estilo de jogo de Karim Benzema veio do brasileiro Casemiro, autor de um importantíssimo gol que deu a vitória ao líder Real Madrid sobre o Espanyol, após um cinematográfico passe de calcanhar do atacante francês, último no domingo 28, em Barcelona. Aos 32 anos, Benzema vem provando ser muito mais do que um “coadjuvante de luxo”, posto que ocupou durante os nove anos em que formou uma vitoriosa parceria com Cristiano Ronaldo. Assim como já havia feito na temporada passada, a primeira sem CR7 ao lado, o jogador revelado pelo Lyon tem sido não apenas o goleador do time, mas também uma referência técnica e de liderança. A diferença é que este ano o protagonismo pode ser coroado com um título de La Liga – e quem sabe até com premiações individuais.

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Forte e com boa estatura (1,85 m), Benzema se distingue de maioria dos centroavantes por sua capacidade de sair da área, abrir espaços e servir seus companheiros – além, claro, de finalizar. É o líder histórico de assistências no clube mais vitorioso do planeta, com 134 passes para gol (três a mais que Cristiano). Nesta temporada, o francês soma 20 gols e 10 assistências em 41 jogos – só na liga espanhola, balançou as redes 17 vezes, três a menos que o líder Lionel Messi, do Barcelona. Não à toa, o francês é homem de confiança tanto do presidente Florentino Pérez quanto do treinador Zinedine Zidane.

“Ultimamente está marcando mais, mas Karim não é só gols. Acho que o mais importante é que ele sempre joga pelo time e demonstra isso a cada partida. Eu o quero sempre no meu time”, afirmou Zizou, no fim do ano passado. O maior ídolo do futebol francês, que assim como Benzema tem ascendência argelina, sempre foi um importante cabo eleitoral para seu retorno à seleção, mas jamais conseguiu convencer o ex-colega e hoje técnico Didier Deschamps. A ausência, claro, não tem motivações técnicas.

Benzema não joga pela França desde 2015, quando foi acusado de chantagem contra o colega Mathieu Valbuena, em um episódio até hoje obscuro. Perdeu, com isso, a chance de ser campeão do mundo – se o título na Rússia veio com Olivier Giroud na frente, que não marcou nem um gol sequer na campanha, é de se imaginar que viria até com mais facilidade com Benzema em seu lugar. Mas se na seleção Benzema tem sua postura contestada, em Madri é uma unanimidade. “Benzema, junto com o Marcelo, foi quem mais me deu moral desde o primeiro dia. É um cara muito humilde, aprendo muito com ele”, confidenciou o jovem atacante brasileiro Vinicius Junior, em trecho de entrevista a VEJA, no início do ano.

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Números de lenda

Real Madrid vs Bayern Munich
Benzema: 244 gols e 17 taças pelo Real Madrid Kai Pfaffenbach/Reuters

Além de maior assistente da história do Real Madrid, o geralmente discreto Benzema também tem números bastante relevantes como goleador. É o quinto maior artilheiro da história do clube com 244 gols (recentemente ultrapassou o húngaro Ferenc Puskás) – o líder Cristiano tem 450. Além disso é, empatado com Robert Lewandowski, o quarto maior goleador da Liga dos Campeões, com 64 bolas na rede – a sete do terceiro colocado, Raul González.

Em relação a títulos individuais, Benzema também sobra: são 17 taças em 11 temporadas pelo Real Madrid, sendo quatro de Liga dos Campeões, quatro do Mundial de Clubes, duas da Copa do Rei e duas do Campeonato Espanhol. O tricampeonato local está próximo em 2020. O clube merengue tem 71 pontos, dois a mais que o Barcelona, a seis rodadas do fim, e leva vantagem no critério de desempate (confronto direto), pois empatou o clássico no Camp Nou e venceu no Bernabéu.

A ótima fase de Benzema e do Real Madrid na retomada pós-coronavírus já entusiasma boa parte da torcida blanca. Após a assistência de calcanhar deste domingo, muitos fãs reivindicaram nas redes sociais a conquista da Bola de Ouro de 2020. O francês jamais chegou perto da maior premiação individual: seu melhor resultado foi um 16º lugar em 2014; ano passado, mesmo com 30 gols e 11 assistências, não passou da 26ª posição. Para que o sonho dos torcedores se realize, o troféu caseiro deve ser pouco. Na Liga dos Campeões, o Real Madrid terá missão complicada nas oitavas de final, depois de já ter perdido o jogo de ida, em casa, para o Manchester City por 2 a 1. Se conseguir a façanha de eliminar o time de Pep Guardiola, as chances do atacante, de fato, aumentam consideravelmente.

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