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Bélgica vence com a fome de gols de Lukaku

Atacante, que superou a pobreza e o preconceito, alcançou artilharia da Copa na vitória sobre a Tunísia

Por Fernando Beagá - Atualizado em 23 jun 2018, 11h33 - Publicado em 23 jun 2018, 11h22

“Não mexa com um garoto que está com fome”, disse Romelu Lukaku, atacante da seleção belga, em seu emocionante relato ao ‘The Players’ Tribune’, publicado no último dia 17 de junho, véspera da estreia da Bélgica na Copa do Mundo da Rússia. O camisa 9 anotou dois gols contra o Panamá e repetiu o desempenho na vitória por 5 a 2 sobre a Tunísia. Com quatro, igualou o português Cristiano Ronaldo na liderança dos goleadores do Mundial. Sua história de vida sugere que ele ainda não está satisfeito, o que poderá ajudar a ‘ótima geração belga’ a chegar longe.

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Lukaku fez uma promessa à mãe, quando a surpreendeu chorando pela escassez de comida em casa, que se tornaria jogador profissional. Contou que, mesmo na brincadeira do parque, castigaria a bola com toda a força de seu chute de perna esquerda. “Nada de chute sutil”, disse, com a amargura de quem teve que superar os olhares sobre o menino de ascendência congolesa. “Eu jogava com muita raiva por causa da maneira como os outros pais olhavam pra mim.”

A raiva ainda está lá, em cada arrancada, em cada disputa de espaço na grande área, mas o chute… Nisso ele trocou a raiva pela crueldade, no bom sentido. Aos dezesseis minutos do primeiro tempo, recebeu em velocidade e finalizou como numa tacada de sinuca. Se um dia o consideraram socialmente inferior, ele mostrou o que é ter classe: aderiu à sutileza no belo toque por cima do goleiro Ben Mustapha, aos 48. Àquela altura, já vencia por 3 a 1 — Hazard fizera o primeiro, de pênalti, aos seis, e o tunisiano Bronn descontara, aos dezoito.

Substituído ainda os treze minutos do segundo tempo, para poupar o dolorido tornozelo, Lukaku já havia cumprido seu papel. Certamente ficou analisando o tempo restante ao lado do assistente técnico Thierry Henry (ex-craque francês), de quem foi fã e com quem adora conversar sobre futebol. “Thierry deve ser o único cara no mundo que vê mais jogos de futebol do que eu.” Aplaudiram mais um gol de Hazard, driblando o goleiro, e principalmente a insistência de Batshuayi, que conseguiu anotar o seu na quinta tentativa. Khazri, o craque tunisiano, ainda descontou.

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Em 2014, a Bélgica também empolgou, mas parou na Argentina, nas quartas de final. Novamente larga bem, mas Lukaku não se pressiona. Quer jogar como nos parques da Antuérpia. “Vou me divertir dessa vez”, avisou, para desespero dos goleiros adversários.

Ponto alto
Quando Lukaku caiu ao tentar driblar o goleiro, levantou-se rapidamente avisando o árbitro que havia sido lance normal. Por mais que o árbitro assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês) desmentiria uma eventual ‘cavada’, o atacante deu mais uma prova de que o que vem fácil não lhe interessa.

Ponto baixo
O setor defensivo da Tunísia tem sofrido na Rússia. Na estreia, o goleiro Hassen luxou o ombro esquerdo. Ainda no primeiro tempo contra a Bélgica, o lateral Bronn e o zagueiro Syam Ben Youssef saíram contundidos.

Próximos jogos
A segunda rodada do Grupo G se completa amanhã, às 9h, com Inglaterra e Panamá. E a chave se define na quinta-feira, 28 de junho, às 15h: Panamá contra Tunísia e o interessante duelo entre Inglaterra e Bélgica.

Ficha do jogo

Bélgica 5 x 2 Tunísia
Local: Estádio Spartak, em Moscou. Árbitro: Jair Marrufo (EUA). Público: 44.190. Gols: Hazard, aos 6, Lukaku aos 16 e 48 do primeiro tempo; Hazard, aos 6, Batshuayi, aos 45, Khazri, aos 48 do segundo tempo.
Bélgica: Courtois; Alderweireld, Boyata e Vertonghen; Meunier, Witsel, De Bruyne e Carrasco; Mertens (Tielemans), Lukaku (Fellaini) e Hazard (Batshuayi). Técnico: Roberto Martínez.
Tunísia: Ben Mustapha; Bronn (Naguez), Syam Ben Youssef (Benalouane), Meriah e Maaloul; Sassi (Sliti), Badri e Skhiri; Khazri, Ben Youssef e Skhiri. Técnico: Nabil Maaloul.

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