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Argentina estreia na Copa América no clima de “tudo ou nada” para Messi

Aos 32 anos, o camisa 10 tentará quebrar o jejum de 26 anos sem um título de sua seleção. A estreia é neste sábado, contra a Colômbia, em Salvador

“Quero terminar minha carreira e ter ganhado alguma coisa com a seleção. Se não for possível, quero ao menos ter esgotado as possibilidades”. A declaração recente de Lionel Messi, que completará 32 anos no próximo dia 24, reforça o caráter de “tudo ou nada” que esta Copa América representa para a Argentina. Sem ganhar um título com o time principal desde a Copa América de 1993, esta pode ser uma das últimas oportunidades que os argentinos terão para ver Messi levantando uma taça com a camisa alviceleste. O jogo será transmitido em TV fechada, pelo SporTV. 

Por essa razão, a pressão por um bom resultado na competição deste ano, realizada no Brasil, é enorme. Com uma equipe sem muita experiência e um treinador que não era a primeira opção dos dirigentes, a campanha de Messi começa neste sábado 15. A partida de estreia é contra a Colômbia, na Arena Fonte Nova, em Salvador, às 19h (horário de Brasília).

Tabela completa da Copa América 2019

Apesar de ser a terceira equipe mais velha entre as 12 participantes, falta rodagem internacional para muitos dos jogadores convocados. Do grupo de 23 atletas, apenas nove são remanescentes da Copa do Mundo do ano passado, quando a Argentina foi eliminada nas oitavas de final pela campeã França. Dez jogadores sequer disputaram uma competição oficial pela seleção principal.

A reformulação passa também pelo comando do time. O técnico Lionel Scaloni tem 41 anos – é o treinador mais novo da competição –, e acumula somente nove jogos como treinador de futebol. O ex-lateral-direito fez parte da comissão técnica de Jorge Sampaoli no Mundial da Rússia e já havia trabalhado com o atual comandante do Santos no Sevilla, da Espanha.

Scaloni só foi elevado ao posto de treinador pela recusa de todas as outras opções cogitadas pela Associação de Futebol Argentino, a AFA. Após a saída de Sampaoli, o então auxiliar foi remanejado pela Associação de Futebol Argentino, a AFA, para o comando da seleção sub-20. Para o cargo de treinador da seleção principal, aventou-se o nome de Diego Simeone, atual técnico do Atlético de Madrid. Simeone recusou a oferta, dizendo se considerar um treinador de clube. “Tenho que trabalhar com os jogadores diariamente”, afirmou.

A AFA, então, nomeou Scaloni como interino enquanto buscava outros nomes no mercado. Foi atrás de Jose Pekerman (que treinou a Argentina no Mundial de 2006), de Alejandro Sabella (vice com a seleção na Copa de 2014) e de Ricardo Gareca (atual treinador do Peru). Todos não aceitaram a oferta e coube a federação local efetivar Scaloni para a disputa da Copa América. Sua permanência ou não no cargo dependerá dos resultados neste torneio.

Todos estes fatores – o jejum de títulos, a inexperiência do grupo e o técnico tampão – só servem para aumentar ainda mais a pressão sobre Messi, ainda mais depois do corte de Neymar e do fato de o atacante uruguaio Luis Suárez estar longe das condições físicas ideais (Suárez ainda se recupera de uma cirurgia no joelho direito). O camisa 10 da Argentina sabe que é a grande estrela desta Copa América.

O histórico de Messi com a seleção incluem títulos menores, como a Copa do Mundo sub-20, em 2005, e a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Para alguém acostumado às vitórias – Messi soma 34 taças com o Barcelona –, é difícil assimilar a sequência de fracassos. “A vida é assim. Você tropeça, se levanta e tenta outra vez lutar pelo seu sonho. Vou levantar e tentar outra vez”, resumiu o atacante de 32 anos em uma entrevista ao canal argentino Fox Sports.

A Argentina está no grupo B da Copa América. Paraguai e Catar são os outros adversários na primeira fase, além da Colômbia. A grande final do torneio acontece no dia 7 de julho, no Maracanã.