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Alerta ligado: o que dizem os patrocinadores sobre a crise da CBF

Responsáveis por 55,1% da receita da entidade, empresas acompanham denúncias contra Caboclo; na última grande crise, seleção perdeu cinco patrocinadores

Por Klaus Richmond, Luiz Felipe Castro Atualizado em 7 jun 2021, 19h12 - Publicado em 7 jun 2021, 15h04

Responsáveis pelo montante de 365 milhões de reais anuais, equivalente a 55,1% da receita bruta de 661 milhões de reais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), de acordo com a última demonstração financeira divulgada pela entidade, em 31 de dezembro de 2020, os 14 patrocinadores da seleção brasileira ainda não falam sobre um possível rompimento contratual mesmo após o agravamento da crise envolvendo Rogério Caboclo, afastado por 30 dias por decisão do Conselho de Ética devido a acusação formal de assédio moral e sexual por uma funcionária da entidade.

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A PLACAR procurou por cada uma das empresas – e obteve resposta de 11 delas até a publicação desta matéria. Todos ainda adotam tom similar: a de preocupação e de que acompanharão a apuração do caso, repudiando atos de assédio e de discriminação.

O acordo com a Nike é o que provoca maior preocupação. A fornecedora americana de material esportivo simboliza a parceria mais longeva com a entidade, desde 1997, e se viu envolvida em um escândalo semelhante envolvendo o principal jogador da equipe, o atacante Neymar, no último dia 28 de maio, pouco antes de se apresentar à seleção brasileira.

“A Nike está profundamente preocupada com as graves acusações feitas ao presidente da CBF. Seguimos acompanhando de perto à apuração do caso e qualquer investigação futura. Esperamos que todas as descobertas sejam acionadas rapidamente”, disse a empresa, em nota.

Os patrocinadores, especialmente os maiores investidores da seleção, pressionam por uma rápida definição do Conselho de Ética da entidade. Apesar da boa fase dentro de campo – o Brasil é líder das Eliminatórias com 100% de aproveitamento –, preocupa o tamanho da repercussão de um novo escândalo envolvendo o presidente da maior confederação de países do mundo.

Em 2016, em meio as investigações de corrupção que atingiam seus ex-presidentes, o último deles Marco Polo Del Nero, a entidade perdeu uma série de patrocinadores com as saídas de Michelin, Gillette, Sadia, Petrobrás e a Samsung. Na época, viu cair de 15 para dez o número de acordos comerciais. Nike, Vivo, Itaú, Ambev, Mastercard, Gol e Cimed são remanescentes daquela época.

Ex-presidente Marco Polo Del Nero foi banido do futebol -
Ex-presidente Marco Polo Del Nero foi banido do futebol – Vanderlei Almeida/AFP

Del Nero, posteriormente, foi banido e afastado de todas as atividades no esporte pela Fifa por ter sido considerado culpado de acusações envolvendo “suborno e corrupção”, “oferecer e aceitar presentes e outros benefícios”, “conflitos de interesse” e por ter violado “regras gerais de conduta”.

Entre as equipes, o Santos viveu relação delicada com seus patrocinadores após anunciar a contratação do atacante Robinho, condenado em primeira instância pela justiça italiana pela acusação de estupro coletivo de uma jovem albanesa. Na época, a divulgação das transcrições de interceptações telefônicas utilizadas na sentença instauraram uma crise entre marcas e o clube.

Na ocasião, a PLACAR apurou que os valores somados das 16 empresas que possuam contrato com o Santos se aproximavam de 28 milhões de reais anuais, detalhando a quantia paga por cada um deles. O principal deles era a Umbro, de cerca de 7 milhões de reais. A Orthopride, empresa da área de ortodontia estética, anunciou o fim do acordo com o clube, dias depois. O prejuízo foi de 2,4 milhões de reais anuais, sendo 400.000 em permuta.

Curiosamente, nos bastidores a diretoria comercial da CBF se orgulhava de ter acertado nos últimos dias com a Neoenergia, primeira patrocinadora exclusiva das seleções brasileiras feminina, com vínculo até 2024. Na seleção principal, um dos acordos mais recentes é com a rede de farmácias Pague Menos.

Veja o que diz cada um dos patrocinadores da seleção:

Nike
“A Nike está profundamente preocupada com as graves acusações feitas ao presidente da CBF. Seguimos acompanhando de perto à apuração do caso e qualquer investigação futura. Esperamos que todas as descobertas sejam acionadas rapidamente”.

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Ambev
“Estamos acompanhando atentamente as informações sobre o caso. Manifestamos nossa profunda preocupação com os relatos divulgados, pois reportam práticas que não toleramos. Seguimos atentos à apuração do caso e esperamos uma análise com a seriedade e rapidez que a situação requer”.

Vivo
“A Vivo está acompanhando com atenção as apurações sobre o caso, por se tratar de uma denúncia que reporta situações que não condizem com os valores da empresa. A Vivo repudia qualquer ato de assédio ou discriminatório.”

Itaú
“O Itaú Unibanco recebe com preocupação as acusações divulgadas nesta sexta-feira envolvendo o presidente da CBF. Na qualidade de patrocinador oficial da Seleção Brasileira de Futebol, o banco acompanhará de perto a apuração do caso e espera que a investigação seja profunda e célere”.

Mastercard
“Nós estamos cientes e preocupados com as sérias alegações. Continuaremos acompanhando a situação, esperamos que as investigações sejam profundas e rápidas”.

Semp TCL
“A SEMP TCL esclarece que está acompanhando as denúncias envolvendo o presidente da CBF. A empresa ressalta que não tolera este tipo de conduta e aguarda a apuração criteriosa dos fatos a fim de ponderar acerca das correspondentes implicações.”

Kin Analytics
“A Kin Analytics está ciente e preocupada com as acusações contornando o Presidente da CBF. Como parceiros de Analytics da Seleção Brasileira de Futebol, continuamos acompanhando de perto a apuração do caso. Esperamos uma investigação com a seriedade e rapidez que a situação requer”.

Pague Menos
“A Pague Menos repudia qualquer ato de assédio e discriminação. A companhia está acompanhando os fatos e espera celeridade na resolução do caso.”

Gol
“A GOL segue acompanhando todos os desdobramentos referentes às acusações contra o presidente afastado da CBF. A empresa, na condição de patrocinadora da Seleção Brasileira, espera que o caso seja apurado e julgado conforme a Lei”

3 corações
“A 3 corações repudia qualquer ato de assédio ou discriminatório e seus valores são inegociáveis. Por isso está acompanhando com preocupação as denúncias e aguardando os desdobramentos com atenção”.

Fiat
“A empresa acompanha atentamente a evolução dos fatos e espera sua pronta e ampla apuração”.

Cimed, Technogym e Statsports não responderam até a publicação desta matéria e terão seus posicionamentos atualizados posteriormente.

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