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Alegria contagiante e goleada: a estreia da seleção brasileira de Pia

No embalo da renomada treinadora sueca, futebol feminino do Brasil viveu uma noite importante e agradável no Pacaembu, em São Paulo

Um público de 13.180 pessoas, formado em sua maioria por jovens garotas e famílias, curtiu uma noite divertida no Pacaembu, em mais um importante capítulo do desenvolvimento do futebol feminino do país. A goleada por 5 a 0 da seleção brasileira diante da rival Argentina, válida pelo torneio amistoso Uber Internacional, marcou a estreia da carismática e vitoriosa treinadora sueca Pia Sundhage, aposta da CBF após anos modorrentos sob a batuta de Vadão. A boa atuação do time, que pareceu contagiado pela eletricidade da nova chefe, foi reconhecida pela torcida na capital paulista.

Antes da partida, a ex-zagueira Elane, autora do primeiro gol do Brasil em Copas do Mundo, na edição da China em 1991, recebeu uma homenagem no gramado, ao lado da atacante Cristiane – que assim como a rainha Marta, não esteve em campo, pois se recupera de lesão. Na ausência da dupla de artilheiras, a veterana Formiga, de 41 anos, e, claro, Pia, foram as mais aclamadas pela torcida.

A treinadora nórdica de cabelos brancos e curtos e sobrenome complicado – em sua terra natal, pronuncia-se algo como “Sandhóg” –, bicampeã olímpica dirigindo os Estados Unidos, vem demonstrando enorme simpatia em suas primeiras semanas de Brasil. Prometeu aprender português e divertiu as novas comandadas com performances musicais na concentração. Ao pisar no Pacaembu, Pia abriu o habitual sorriso e acenou para os fãs. Ao longo da noite, ela daria um show de espontaneidade e vibração.

Como geralmente acontece em jogos de futebol feminino, o ambiente era bastante amigável. Houve aplausos para o hino do adversário, por parte de torcida e atletas, algo improvável em clássicos entre Brasil e Argentina entre homens. Em seguida, foram ouvidos raros palavrões em um coro pouco carinhoso dedicado ao presidente Jair Bolsonaro. O protesto político se repetiria na segunda etapa.

A torcida marcou presença em faixas de apoio à Marta e Formiga (Kaio Lakaio/VEJA)

Foi uma bela festa, com direito a dribles e um show de luzes com celulares nas arquibancadas, mas o jogo não chegou a ser um grande teste para o Brasil. Com um time fisicamente bem inferior, a Argentina, que caiu na primeira fase no Mundial da França, não conseguiu acompanhar a velocidade das brasileiras, que criaram uma infinidade de chances.

Mas apesar da fragilidade rival, a zagueira Erika disse que já foi possível ver mudanças no time de Pia. “Ela é bem detalhista, nos mostrou como posicionar melhor o corpo e pediu maior velocidade de transição. Ela brincou que quando perdíamos a bola parecia que voltávamos comendo pipoca. Agora ela exige que voltemos rápido, quer um time bem compacto”, afirmou a atleta do Corinthians ao deixar o estádio.

Logo no primeiro minuto de jogo, um belo chapéu de Tamires e uma chance clara de Bia Zaneratto após falha da goleira argentina levantaram o público, que pagou de 20 a 24 reais para entrar na velha casa do futebol paulista. O primeiro gol não demorou a sair: Ludmilla recebeu de Bia em velocidade, sua especialidade, invadiu a área e marcou o primeiro aos 18 minutos. O jogo era tranquilo e o Brasil ampliou com a líder Formiga, que completou jogada de Andressa Alves e teve seu nome gritado.

Jogadoras do Brasil comemoram mais um gol diante da Argentina (Kaio Lakaio/VEJA)

O terceiro gol do primeiro tempo foi de Debinha, uma das jovens esperanças do time, que completou cruzamento de Tamires. No banco, Pia Sundhage celebrou cada tento de forma efusiva com sua comissão técnica. O panorama se manteve no segundo tempo, com o Brasil criando as melhores chances diante da impotência das hermanas. Erika, de cabeça, após cobrança de escanteio, marcou o quarto, e Juncos, contra, completou a goleada. Antes de uma concorrida entrevista coletiva, com a presença até de jornalistas estrangeiros, Pia ainda acompanhou as atletas e parou na grades do Pacaembu para tirar fotos com os jovens fãs.

“Este início tem sido impressionante, muito otimista e positivo. E também de muito trabalho nos treinos, tentei explicar minha maneira de jogar, mas sem alterar tanto o jogo delas. (…) Ainda tenho dificuldades com o português, mas corro, grito e sinto que elas entendem o que estou dizendo. Os treinos foram bons e o jogo foi maravilhoso, num estádio fantástico do país do futebol. Acho que foi um bom começo“, disse a treinadora de 59 anos. No domingo, 1º de setembro, às 13h, o Brasil volta ao estádio para a final do torneio, diante do Chile.

A sueca fez sua estreia com uma boa vitória sobre a Argentina (Kaio Lakaio/VEJA)