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Afrontada por MP, Globo marca posição ao promover Corinthians x Palmeiras

Em chamada para o dérbi, emissora exaltou audiência e 40 anos de experiência no futebol. Um recado claro aos clubes favoráveis à MP (e seus patrocinadores)

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 17 jul 2020, 13h23 - Publicado em 17 jul 2020, 13h01

Derrotada na audiência e acuada por alguns clubes, a Rede Globo decidiu contra-atacar. Em uma clara resposta à Medida Provisória 984/2020, que deu às equipes mandantes o direito sobre suas transmissões, causando uma batalha jurídica no Campeonato Carioca e com possíveis reflexos no Brasileirão, a emissora usou o clássico paulista entre Corinthians e Palmeiras para marcar sua posição de líder do mercado junto a dirigentes e patrocinadores.

O dérbi acontecerá na próxima quarta-feira, 22, às 21h30, na Arena Corinthians, que estará sem torcedores seguindo os protocolos do coronavírus, e marcará a retomada do Paulistão após quatro meses. A Globo transmitirá o jogo em TV aberta e também no SporTV e no Premiere para São Paulo e vários outros estados (ainda indefinidos), e preparou uma chamada especial reforçando as quatro décadas de parceria com o futebol paulista e seus significativos números de audiência.

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“A gente tem uma história juntos. Mais de 40 anos de estrada. Só no ano passado, 33 milhões de pessoas viram o Paulistão aqui na Globo, mais de 9 milhões a cada jogo. Estas camisas, que os paulistas tanto amam, estão todo dia nos programas de nossos telejornais e quem já vestiu essas camisas ajuda a contar essa história aqui”, diz trecho do texto da chamada, que está no ar desde quinta-feira 16, e intercala imagens de glória de Palmeiras, São Paulo, Santos e Corinthians.

“Quando seu time brilhou muito além de São Paulo, no Brasil, na América e no mundo, a Globo estava lá, para garantir sempre o melhor lugar para você, sem cobrar nada!”, complementa a emissora. Os números de audiência e a ênfase no fato de TV aberta ser gratuita são uma clara resposta aos eventos ocorridos no Rio, depois que a emissora decidiu rescindir contrato com o Campeonato Carioca alegando “quebra de exclusividade”.

A maior audiência do futebol no YouTube, recorde em toda a plataforma, foi a final da Taça Rio, transmitida na FluTV, com 3,6 milhões de pessoas assistindo simultaneamente em todo o mundo. Os valores são bastante relevantes para a internet, mas ainda bem inferiores ao que a TV aberta costuma proporcionar. Este foi o motivo de a diretoria do Flamengo, pressionada por seus patrocinadores, ter levado a transmissão da finalíssima para o SBT.

O título do Flamengo fez o SBT superar a audiência da Globo no Rio de Janeiro (27 ante 25 pontos no Ibope em parte do Jornal Nacional) e vender seis cotas de patrocínio negociadas em quatro dias, cada uma por valores entre 600 000 e 800 000 reais. Conforme VEJA revelou, Silvio Santos aprovou os resultados e, animado com a MP, decidiu investir mais em esporte na grade do SBT.

  • Para piorar a situação da Globo, 16 clubes da Série A (todos exceto Fluminense, Botafogo, Grêmio e São Paulo) assinaram um manifesto a favor da MP – o Corinthians, clube que ao lado do Flamengo é quem mais fatura com cotas de TV da Globo, foi mais cauteloso e não propagandeou a ação em suas redes sociais, ao contrário dos vizinhos Palmeiras e Santos. A Globo, porém, tem a seu favor o fato de manter contrato de transmissão do Brasileirão em TV aberta até 2024 com todos os clubes, exceto o Red Bull Bragantino, que já vem sendo apontado como um possível “agente do caos”.

    O futebol é um dos principais produtos vendidos pela emissora ao mercado publicitário. Estima-se que a emissora fature 1,8 bilhão de reais com a venda das seis cotas anuais de propaganda vinculadas às suas transmissões de futebol, além de outro 1,4 bilhão recolhido dos torcedores que pagam pelo serviço pay-per-view dos jogos no seu canal Premiere. Clubes (e seus patrocinadores) baterão de frente com a Globo? É preciso aguardar as cenas dos próximos capítulos.

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