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A revolta da mãe de vítima do Ninho do Urubu um ano após o incêndio

Marília Barros, que perdeu o filho Arthur Vinícius na tragédia, fala da revolta pelo descaso do Flamengo com as famílias

Por Da Redação - Atualizado em 7 fev 2020, 16h41 - Publicado em 7 fev 2020, 16h10

O incêndio no alojamento das categorias de base no centro de treinamento do Flamengo faz aniversário de um ano neste sábado, 8. A tragédia que matou 10 crianças ainda não teve um desfecho, já que o clube ainda não firmou um acordo para indenizar a maior parte das famílias. Marilia Barros, 50 anos, é mãe de Arthur Vinícius, uma das vítimas. Ela concedeu um depoimento à repórter Bruna Motta, publicado na seção Primeira Pessoa da edição de VEJA publicada nesta sexta, no qual falou sobre o descaso do clube, que não entra em contato com ela há nove meses.

Assine e leia na íntegra: “Essa dor não me deixa”, diz mãe de jovem morto no Ninho do Urubu

“Eu confiei que meu filho ficaria seguro onde estava. Acabei perdendo-o. Para o Flamengo, imagino que a história seja página virada, uma daquelas que é melhor apagar. Cutuco a ferida justamente para que o assunto não seja esquecido”, desabafa Marilia sobre o caso. “Como os dirigentes colocam a cabeça no travesseiro e conseguem dormir, eu realmente não sei. O descaso é uma falta de respeito”, reclama.

Ela questiona o comportamento do Flamengo em negar a determinação do Ministério Público que exige o pagamento de 1 milhão de reais como indenização, além de uma pensão de 10 000 reais mensais às famílias. “O Flamengo quer botar esse valor muito mais para baixo. Não conheço os detalhes dos casos em que o clube entrou em acordo com as famílias, mas sei que as quantias ficaram muito aquém do que é digno”.

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A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) instaurou uma CPI para apurar incêndios que aconteceram nos últimos meses, inclusive o que vitimou as 10 crianças no Ninho do Urubu. Nesta sexta-feira 7, chamou familiares e dirigentes da atual e da antiga gestão do Flamengo para depor. Wedson Candido de Matos, pai de Pablo Henrique, foi o único que apareceu, representando as famílias.

Com a ausência dos representantes do Flamengo, a sessão ordenou um pedido de condução coercitiva para três dirigentes do Flamengo: o presidente Rodolfo Landim, o vice jurídico Rodrigo Dunshee e o ex-vice de patrimônio Alexandre Wrobel. Os três deverão se apresentar na próxima audiência, que acontece daqui uma semana.

Também nesta sexta-feira 7, a polícia enviou o inquérito sobre o caso para o Ministério Público. O MP do Rio de Janeiro devolveu o caso à polícia em julho do ano passado em busca de mais informações, por entender que não havia provas para realizar os indiciamentos. Um dos pedidos do MP foi para que a polícia ouvisse o Coronel Nunes, vice-presidente da CBF na época do incêndio, para buscar informações sobre o certificado de clube formador do Flamengo. Outro pedido foi para a empresa NHJ se manifestasse sobre um ofício que diz que ela não tinha autorização para instalar os contêineres como alojamento.

O primeiro documento feito pelo delegado Marcio Petra de Melo, que já não está mais à frente da investigação, indiciou o ex-presidente do Flamengo Eduardo Bandeira de Mello e outras sete pessoas: três engenheiros da empresa NHJ, que forneceu os contêineres onde os jovens estavam alojados, um técnico em refrigeração, dois engenheiros do clube e o monitor que acompanhava os garotos naquela noite. Os oito foram acusados de homicídio doloso pela morte das 10 crianças e também por lesão corporal pelos 14 garotos que ficaram feridos. A decisão do MP sobre qual será a denúncia é aguardada para março.

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