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“Não preciso dele nem da Globo”, diz Luana Piovani sobre Boninho

Aos 45 anos, a atriz está mais à vontade ainda para falar verdades, se expor sem medo e comprar brigas, inclusive com o poderoso diretor do BBB

Por Sofia Cerqueira Atualizado em 8 jul 2022, 09h09 - Publicado em 8 jul 2022, 06h00
Luana Piovani -
Luana Piovani – @luapio/Instagram

Segura, autêntica e com um vasto currículo de polêmicas, a atriz Luana Piovani é daquelas personalidades que, por onde passam, fazem barulho. Recentemente, mesmo estando a um oceano de distância do país, causou furor ao se recusar a ceder imagens dos três filhos — Dom, 10 anos, e os gêmeos Bem e Liz, 6 — interagindo com o pai, o surfista Pedro Scooby, no Big Brother Brasil. A atitude desagradou ao diretor do programa, José Bonifácio de Oliveira, o Boninho. Medo de represálias? “Imagina. Não preciso dele nem da Globo”, dispara Luana. Aos 45 anos, quatro deles vivendo na região de Cascais, em Portugal, Luana, nesta entrevista a VEJA, fala de tudo — que deixou o Brasil após crises de pânico e ansiedade, que existem panelinhas na Globo e que foi assediada por um diretor. Como sempre, sem rodeio: “Não posso dizer que esteja comportada. Eu me expresso sem desrespeitar os outros, digamos assim”.

Muitos acham que a senhora se expõe demais nas redes. Sofre de sincericídio? Não acho. O que tenho é coragem de ser quem eu sou, me mostrar humana. Agora, me humanizar dá trabalho. Faço um exercício constante para me expor sem filtros e dar uma rasteira no ego.

Volta e meia há troca de farpas com seguidores. As críticas a incomodam? Há muito tempo que não me abalam. Acho importante me posicionar porque as pessoas perderam o medo e o respeito na internet. Não é porque sou famosa, loirinha e com esta cara que vou fazer social e aguentar amargor. Não estou aqui para ficar quietinha, exibindo sorrisinho de Mona Lisa.

A senhora já foi às ruas pedir a prisão de Lula e apoiou a Lava-Jato e Sergio Moro. Arrepende-se? Não. Errado é errado. Como dizem, brasileiro devia ser estudado. Em 2018, escolheu as piores opções e pôs como salvador da pátria o atual presidente. Não tenho essa pedrinha no bolso, votei na Marina Silva. Agora, estão pondo como o salvador aquele que foi condenado. Não voto em nenhum dos dois.

Após aquelas eleições, mudou-se para Portugal, onde já apresentou um reality show, fez duas séries e participou de um programa musical. Chegou a ter medo de ficar parada? Sou daquelas que acham que qualquer trabalho é digno. Se precisasse, faria ponta de garçonete. Mas graças a Deus sou solicitada. Em julho agora começo a gravar minha primeira novela aqui em Portugal. Serei uma médica com um grande segredo. Também estou escrevendo um stand-up musical, no qual vou cantar e interpretar, e pretendo rodar a Europa.

Não pensa mesmo em voltar, como declarou? Vim para cá fugindo do medo e da insegurança que me consumiam. Não era só o temor, mas a dor do outro que me arrasava. Passa a ser natural ter uma tragédia toda semana e é cada uma, desculpa meu francês, de cair o c… da bunda. Enquanto era sozinha levava, mas depois de ser mãe aquilo estava me deixando louca. Tive crises de pânico e ansiedade. Lia o jornal e passava dois dias chorando. Vivia num condomínio, de carro blindado. Não queria criar as crianças assim.

A decisão de morar fora teve relação com a falta de convites da Globo? Imagina. A opção de não ter contrato fixo foi minha. Confio no meu taco, achava que me chamariam para coisas boas, como aconteceu. Construí uma carreira embaralhando televisão, cinema e teatro. Também prezo o ócio criativo. Após os trabalhos gosto de ficar livre para engrenar uma superviagem, como um mês na Toscana ou uma ida para Ibiza, como fiz recentemente.

“O BBB expõe as mazelas humanas e incentiva as pessoas a se mostrar do pior jeito possível. É sádico, um coliseu contemporâneo, no qual os gladiadores são estimulados a se mutilar”

Sua última novela é de 2012 e seis anos depois foi escalada e logo dispensada de O Sétimo Guardião. A relação com a emissora azedou de vez? Não. O Aguinaldo Silva me ligou dizendo que uma atriz do elenco fixo faria o papel. Era decisão da casa. Entendi que ali a Globo começava um processo inteligente. Nunca compreendi o fato de ter milhões de pessoas contratadas, um bando delas sem trabalhar, e ainda assim ficar chamando Deus e o mundo. Mas, óbvio, se tivesse gravado, adiaria a mudança, encheria a burra de dinheiro e viria para cá mais gordinha. Ah, não pode falar assim. Viria com o burro mais na sombra.

A senhora já disse que não tem paciência para bajular as pessoas certas. Isso a prejudicou? Não poderia ser diferente. Sou verdadeira e me orgulho de tudo o que conquistei. E isso tem muito a ver com o fato de ser evidente que não puxo o saco de ninguém. Até entendo que existam “panelas”, que se trabalhe com quem gosta. Agora, em uma empresa como a Globo, tem de ter bom senso na organização dessas “panelas”.

Sentiu algum tipo de pressão quando bateu de frente com Boninho, diretor do BBB, ao se recusar a ceder imagens de seus filhos? Rolou uma pressãozinha, sobretudo do pessoal que fica na internet cuidando da vida dos outros. A minha reivindicação era justa. Sempre tomei o cuidado de minimizar o exagero no uso da minha imagem, imagina se não teria com meus filhos. Tentei um acordo, ceder para tal prova, mas queriam para a edição toda. E esse BBB é tipo Jason, não acaba. Parece Sexta-Feira 13, versão 49.

Quando a série portuguesa O Clube, na qual vive uma prostituta, alcançou o topo da audiência da Globoplay, a senhora postou um “Chupa, Boninho” nas redes. Por quê? Era para dar uma provocada nele, tipo falando: “Eu estou ganhando de você, entendeu? Você fez isso tudo aí, mas quem bomba sou eu, desculpa”. Várias pessoas comentavam que só falavam de mim. Então, toda vez que acontecia algo, eu botava a provocação.

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Ele tem poder na emissora. Sentiu medo de represália? Imagina. Poder tenho eu, que não preciso nem dele nem da Globo. Já precisei, não mais. Quanto à postura do Boninho, só falo do que sei. Ele é um fazedor de dinheiro, responsável pelo maior faturamento da casa. Suponho que seja tratado como rei na Globo. Quanto à qualidade, não conheço seu trabalho, nunca assisti a um BBB, só vi trechos. Talvez aquilo seja bom para o diretor: fica só botando armadilhas para as pessoas caírem. Deve se divertir com isso.

Se fosse convidada, participaria? Só se ganhasse milhões e por dez dias, no máximo. Entrava, botava fogo em Roma, tomava um banho, passava um gloss e ia embora. É um programa que expõe as mazelas humanas e incentiva as pessoas a se mostrar do pior jeito possível. A receita do bolo é deixá-las cada vez mais fragilizadas e vulneráveis. É sádico, um coliseu da era contemporânea, no qual os gladiadores são estimulados a se mutilar. O Pedro não me consultou. Se tivesse, talvez dissesse para ir. Ele é surfista de ondas grandes e ficou mais popular.

Pensa em se casar novamente? Não, já realizei essa fantasia. Sou descrente dessa instituição falida. As chatices da rotina minam qualquer relação. Se a gente tem a pessoa segura ali, o tempo todo, a libido acaba. A Ferrari na garagem vira Fusca.

Aos 45 anos, qual é o peso do sexo na relação? Olha, é bem importante. Sou uma mulher com sexualidade quase masculina do ponto de vista da sedução. Para me envolver é preciso ter tesão, mas também admiração. Senão vira delivery, o dia que você quer, liga e pega. Já disse que manter a monogamia é um sacrifício, mas casamento aberto não funciona para mim. A receita perfeita é ser namorada.

Já se relacionou com mulher? Não. Gosto da coisa máscula, a virilidade masculina para mim é vital. Não rola hoje, não sei no futuro.

Na época em que o Scooby namorou a Anitta, disseram que ficou enciumada. É verdade? Não sou ciumenta estando junto, imagina separada. O que fiquei foi insegura, porque ele tem 50% da responsabilidade pelos filhos. Alternamos e cada um fica quinze dias com as crianças. O Pedro estava levando uma vida que não tinha lá um perfil familiar. Queria ficar nessa de uhu, show, festinha, junta aqui, troca ali, bora lá. Ele tem milhões de qualidades, é divertido, incentiva no esporte, mas é descomprometido, desrespeita regras. Aí eu disse: “Nananinanão, você tem três crianças aqui”.

“O diretor Carlos Manga bateu na perna e disse ‘senta aqui’. Pensei: tiozinho ousado. Sentei no braço da poltrona. Fui tirada da novela e hoje vejo que o episódio pode ter pesado”

Como vê hoje o episódio em que foi flagrada traindo Rodrigo Santoro, seu namorado na época? Tinha 22 anos, vivia um relacionamento havia três, estava infeliz. Mas éramos o Brad Pitt e a Angelina Jolie do Brasil. Por onde passávamos, os violinos tocavam. Não sabia o que fazer com aquilo e, apresentando uma peça na Bahia, reencontrei um antigo amor. Não voltei mais para a cama dele nem disse “amorzinho, te amo”, como já fizeram comigo. Só lamento que essa tatuagem tenha ficado no Rodrigo.

Nos últimos tempos surgiram relatos de assédio na Globo. Presenciou ou foi vítima de algum? Vivi um abuso aos 20 anos, mas na época era normal e só me dei conta mais tarde. Eu e algumas pessoas, entre elas Luiza Brunet, que seria minha mãe no remake de Anjo Mau, estávamos na sala do diretor Carlos Manga (1928-2015). De longe, ele bateu na perna e disse “senta aqui”. Pensei: tiozinho ousado. Sentei no braço da poltrona. Depois, fui tirada da novela sob o pretexto de que desagregava. Hoje vejo que aquele episódio pode ter pesado.

A senhora foi agredida por Dado Dolabella e o denunciou. Ele teve a punição devida? Nada. Inclusive porque não me agrediu apenas, mas também a camareira da minha peça. Ele a jogou longe e ela trincou os dois antebraços. Nunca pagou a indenização. Na época, vivi a primeira crise de ansiedade. Não pela agressão, mas pela ressaca daquilo. Brasileiro é cruel, mas fantasiado de engraçadinho.

É difícil envelhecer sob os holofotes? Sim, tenho as referências de trabalhos que fiz e vejo as mudanças. Sou virginiana, obcecada por estética. Noto cada milímetro de flacidez. Porém, sou analisada e me amo.

Faz loucuras por vaidade? Depois dos gêmeos, pus silicone nos seios e tirei as glândulas mamárias. As gordurinhas junto às axilas me incomodavam e pareciam dois peitinhos. Também uso Botox e faço preenchimento no rosto, mas sei que não vou escapar da plástica.

O que a maturidade tem de bom? Depois de vários tombos, ela traz segurança e liberdade para falar e ser o que quiser. A gente vai se amando mais. A lei da gravidade continua agindo, mas não dá para viver sem envelhecer. E, como sou apaixonada pela vida, para mim a conta está fechada.

Publicado em VEJA de 13 de julho de 2022, edição nº 2797

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