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OMS: batalha contra a tuberculose ainda não foi vencida

Novo relatório mostra que ela continua a ser a segunda doença infecciosa que mais mata no mundo, atrás apenas da aids

Por Da Redação
22 out 2014, 14h37

A tuberculose continua a ser a segunda doença infecciosa mais mortal no mundo, atrás apenas da aids, de acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Além disso, o número de casos de tuberculose resistente a múltiplas drogas permanece alto, com cerca de 480 000 novos episódios registrados em 2013. O estudo afirma que a batalha contra a moléstia fez importantes avanços, que permitiram salvar 37 milhões de vidas entre 2000 e 2013, mas a guerra ainda está longe de ser vencida.

Em 2013, foram 9 milhões de novos casos da doença e 1,5 milhão de mortos. Em 2012, a aids fez 1,6 milhão de vítimas mortais. Os números de tuberculose do ano passado são ligeiramente mais elevados do que os de 2012 (quando houve 8,6 milhões de novos casos e 1,2 milhão de mortes) devido à inclusão das primeiras informações detalhadas da Nigéria, o país mais populoso da África.

“Uma vez que a maioria das mortes por tuberculose é evitável, o número de vítimas ainda é inaceitavelmente alto”, observa a OMS, que insiste na necessidade de acelerar os esforços para alcançar níveis menores da doença até 2015.

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A entidade estabeleceu uma meta de reduzir pela metade a taxa de mortalidade da tuberculose (o número de mortes por 100 000 habitantes) e a taxa de prevalência da doença (o número de pessoas que sofrem da doença em um determinado momento por 100 000 pessoas) em 2015. De 1990 até o fim de 2013, a taxa de mortalidade caiu globalmente cerca de 45%, enquanto a taxa de prevalência baixou 1,5% ao ano.

Disparidades regionais – O continente americano e os países do Pacífico Ocidental já alcançaram a meta, em contraste com a África, a região mediterrânea e partes da Europa, onde a tuberculose “não diminuiu rápido o suficiente para atingir os objetivos”.

Os homens são mais frequentemente e mais severamente afetados do que as mulheres, com cerca de dois terços das mortes por tuberculose em 2013, enquanto 80 000 mortes foram de crianças.

Mais da metade (56%) de novos casos de tuberculose foram notificados no ano passado no Sudeste Asiático e na região do Pacífico, as duas regiões mais populosas do mundo, mas é na África que as taxas de casos de tuberculose e de mortes em relação à população doente continuam as mais altas.

Tuberculose resistente – A OMS cita a estabilização em 3,5% dos casos de tuberculose multirresistente – que não respondem aos antibióticos – como um avanço. No entanto, o número ainda é uma ameaça crescente à saúde no mundo.

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Nos últimos anos, surgiram vários tipos de tuberculose resistentes a medicamentos, um problema criado pelo homem, causado por pacientes regulares que recebem medicamentos errados, doses erradas ou não completam o tratamento. Esses casos são muito mais difíceis de tratar e têm taxas de cura significativamente mais baixas.

Progressos – Entre os fatores de otimismo, a OMS cita o surgimento de testes rápidos para diagnosticar a doença e novos tratamentos.

As pesquisas também continuam para o desenvolvimento de novas vacinas, mesmo que “ainda não exista uma eficaz na prevenção da tuberculose em adultos”. A única vacina existente é a BCG (desenvolvida em 1921 e preparado a partir do Bacillus Calmette Guerin). Ela é recomendada pela OMS em crianças, uma vez que protege contra as formas graves da tuberculose. No entanto, segundo a OMS, ela “não protege de forma confiável” contra a tuberculose pulmonar, “que representa o maior número de casos no mundo.”

A doença – A tuberculose é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis e propagada de pessoa para pessoa pelo ar. A doença afeta principalmente os pulmões, provocando dificuldades respiratórias e derrame pleural (presença de líquido no espaço entre pulmões e tórax).

“Além do financiamento de pesquisas na área, oito bilhões de dólares por ano são necessários para tratar, diagnosticar e prevenir a tuberculose. Financiamentos nacionais e internacionais têm de se intensificarem para prevenir milhões de mortes desnecessárias”, diz Katherine Floyd, Coordenadora da OMS no setor de Monitoramento e Avaliação da tuberculose.

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(Com AFP e Reuters)

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