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Zuckerberg, do Facebook, diz temer onda de violência após eleições nos EUA

CEO e fundador da rede social citou profundas divisões políticas e possíveis atrasos em contagens de votos devido à pandemia de Covid-19

Por Da Redação 30 out 2020, 12h37

O fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, expressou preocupação na quinta-feira 29 com a possibilidade de uma onda de violência nos Estados Unidos após as eleições presidenciais de 3 de novembro.

“Eu estou preocupado que, com nossa nação tão dividida e os resultados das eleições potencialmente levando dias ou semanas para serem finalizados, exista o risco de distúrbios civis”, disse Zuckerberg durante uma conferência com analistas sobre os resultados trimestrais de sua empresa.

A pandemia de Covid-19 provocou o crescimento exponencial do voto por correio, o que gera temores de que a apuração demore mais do que o habitual.

De acordo com o Projeto Eleitoral dos Estados Unidos, um centro de estudos da Universidade da Flórida, até quarta-feira mais de 81 milhões de eleitores já haviam votado. As autoridades acreditam que 150 milhões de pessoas votarão na eleição presidencial.

Nestas circunstâncias, empresas como o Facebook “precisam ir muito além do que já fizemos” para consolidar a confiança no processo eleitoral e evitar que as plataformas sejam utilizadas para proclamar a vitória com antecedência de algum candidato ou para convocar manifestações violentas nas ruas.

Zuckerberg recordou algumas salvaguardas implementadas por sua rede social, como a proibição de qualquer publicidade sobre temas sociais ou políticos em suas plataformas nos Estados Unidos após o fechamento dos locais de votação, com objetivo de reduzir os riscos de “confusão ou abuso” durante o tempo que for necessário.

De acordo com a empresa, reivindicações de vitória por parte de candidatos antes da divulgação de resultados oficiais serão marcadas com informações sobre a situação da corrida. Em uma campanha para reprimir desinformação, a empresa também irá remover publicações que envolvam intimidações a eleitores ou autoridades eleitorais.

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“A próxima semana vai ser um teste para o Facebook, mas estou orgulhoso do trabalho que fizemos”, completou, com o desejo de demonstra que sua empresa aprendeu as lições de 2016, quando as eleições foram marcadas por grandes campanhas de desinformação, algumas delas orquestradas a partir da Rússia.

Esta semana, a proibição de novos anúncios políticos durante os últimos sete dias de campanha gerou fortes controvérsias. O Facebook foi acusado de permitir anúncios da campanha do presidente Donald Trump direcionados a estados importantes na disputa à Casa Branca.

  • A empresa ainda é alvo de debates no Senado, junto a outras gigantes da tecnologia, sobre moderação nas redes, envolvendo as bases para uma reforma da polêmica lei conhecida como Seção 230, que impede ações legais relacionadas ao conteúdo publicado em redes sociais por terceiros. As empresas recebem críticas, principalmente da esquerda, por não desempenharem o papel de moderadores e por deixarem passar muito conteúdo racista, violento ou insultuoso. Por outro lado, muitos conservadores americanos acusam as empresas, sem evidências tangíveis, de favorecer o campo democrata. 

    A uma semana das eleições presidenciais americanas, ainda é difícil apontar um vencedor claro da disputa. A média das principais pesquisas eleitorais do país aponta uma vantagem do democrata Joe Biden no voto nacional de 7 pontos percentuais em relação a Trump. Já nos colégios eleitorais, a disputa continua acirrada e imprevisível, apesar de parecer favorável aos democratas.

    O presidente já teve publicação excluída da rede social, e postagens ocultadas no Twitter, por “espalhar informações enganosas e potencialmente prejudiciais”, segundo as empresas. No texto, publicado após sua alta do hospital por Covid-19, Trump afirmava que a doença era “menos letal” do que a gripe.

    As declarações de Zuckerberg aconteceram de maneira simultânea ao anúncio do Walmart sobre a retirada temporária de armas e munições das prateleiras de seus supermercados.

    A empresa tomou a decisão como forma de precaução após os protestos violentos na Filadélfia e em um contexto de elevadas tensões políticas que, em várias ocasiões, resultados em atos de violência em diversas cidades nos últimos meses.

    No centro de Washington, vários edifícios e lojas começaram na quarta-feira a proteger portas e vitrines com a previsão de eventuais manifestações após a eleição de 3 de novembro.

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