Zelensky diz que Rússia voltou a usar mísseis norte-coreanos para atacar Ucrânia
Ataques russos deixam nove mortos e dezenas de feridos na madrugada desta terça-feira, 11, atingindo hospital infantil em Kiev
Ataques russos contra a Ucrânia na madrugada desta segunda-feira, 11, mataram pelo menos nove pessoas e deixaram dezenas de feridos, informaram autoridades de Kiev, que acusaram Moscou de usar mísseis norte-coreanos na ofensiva.
A denúncia aconteceu depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou, sem apresentar evidências, que a Rússia recebeu mais projéteis e soldados da aliada Coreia do Norte. Nesta terça, ele disse que as forças russas lançaram “mísseis balísticos norte-coreanos” contra a cidade de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, onde morreram pelo menos seis pessoas.
“A cidade foi atacada com mísseis balísticos norte-coreanos, mísseis russos Zircon e bombas aéreas guiadas”, escreveu Zelensky em sua conta no X (ex-Twitter). Ele denunciou um “ataque brutal, projetado para infligir o maior dano possível”.
O bombardeio em Zaporizhzhia, onde antes da guerra viviam mais de 700 mil pessoas, também deixou 19 feridos. As forças russas “atacaram instalações e infraestruturas industriais”, afirmou o comandante da administração militar regional, Ivan Fedorov, em uma mensagem na qual compartilhou a imagem de um carro destruído por chamas.
O Exército russo lançou ainda um ataque com drones e artilharia contra cinco distritos da região leste de Dnipropetrovsk, onde três pessoas morreram, incluindo um adolescente de 15 anos, informou o chefe da administração militar local, Oleksandr Ganja.
Aliança bélica
A Rússia recorreu à Coreia do Norte em busca de apoio durante a invasão da Ucrânia, iniciada em 2022.
Em uma fase anterior da guerra, Pyongyang enviou milhares de soldados para ajudar a Rússia a responder a um contra-ataque ucraniano na região de Kursk. No domingo 9, Zelensky afirmou que até 50 mil militares norte-coreanos teriam sido mobilizados para lutar ao lado de Moscou, apesar de não ter explicado como obteve esse número, muito superior à estimativa de 30 mil feita em julho.
Os serviços de inteligência da Ucrânia, da Coreia do Sul e de países ocidentais acusaram ainda o país de Kim Jong-un de fornecer armas ao colega Vladimir Putin.
Moscou e Pyongyang fortaleceram suas relações desde o início da invasão russa da Ucrânia e, em 2024, assinaram um acordo de defesa mútua. Putin visitou o país aliado na ocasião e, um ano antes, recebeu Kim na Rússia um ano antes. Em setembro de 2025, os dois se encontraram em Pequim, onde o líder norte-coreano prometeu fazer “tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar” o Kremlin.
Hospital infantil atingido
A capital Kiev registrou uma série de explosões pouco depois da meia-noite, em meio a alertas de ataques aéreos, segundo a agência de notícias AFP. Pelo menos uma pessoa ficou ferida, informou a administração militar da capital ucraniana.
Um hospital infantil de Kiev foi atingido, segundo o Ministério da Saúde, assim como um centro médico de tratamento de doenças infecciosas, conforme disse Zelensky.
Na região de Kharkiv, no leste da Ucrânia, um ataque russo em Zlatopil provocou danos a “infraestruturas civis” e feriu pelo menos uma pessoa, informou o prefeito da cidade, Mikola Bakcheiev.
O Ministério da Defesa russo, por sua vez, afirmou que suas forças “lançaram um ataque em grupo com armas de alta precisão que atingiram empresas da indústria militar e centros de logística e transporte nas cidades de Kiev e Zaporizhzhia”.
Moscou intensificou nas últimas semanas os ataques com mísseis balísticos, que apenas alguns sistemas avançados de defesa antiaérea, entre eles os Patriot americanos, são capazes de interceptar. A escassez de projéteis interceptadores PAC-3 destinados a estas baterias se agravou desde que Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã, em fevereiro.
Paralelamente, a Ucrânia intensificou os ataques contra cidades russas distantes da fronteira.







