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Wikileaks: superior do soldado Manning se opunha a seu envio ao Iraque

Uma ex-supervisora do soldado americano Bradley Manning, acusado de entregar material secreto ao site WikiLeaks, assegurou nesta sexta-feira ter recomendado que o militar não fosse enviado em missão ao Iraque.

Jihrleah Showman, que testemunhou durante audiências realizadas para determinar se o soldado, acusado de ser um espião do Wikileaks, deve enfrentar a corte marcial, relatou um encontro violento com Manning, que teria batido no rosto dela.

O depoimento foi dado no quinto dia do processo, celebrado em Fort Meade, uma base militar próxima a Washington que abriga a supersecreta Agência Nacional de Segurança, em Maryland (nordeste).

Manning é acusado de ter entregue ao WikiLeaks, entre novembro de 2009 e maio de 2010, 260.000 despachos diplomáticos secretos relacionados com as guerras de Iraque e Afeganistão, entre outros documentos. Por isso, é acusado de 22 crimes e poderá ser condenado à prisão perpétua.

Showman, que deixou o exército em julho e depôs por telefone, disse que foi enviada ao Iraque junto com Manning em novembro de 2009 e foi líder da equipe de inteligência militar no qual ambos trabalhavam, nos arredores de Bagdá.

A ex-supervisora afirmou que antes de partir para o Iraque, confidenciou ao sargento e a outros membros de sua unidade que acreditava que Manning não desejava acompanhá-los.

Ela contou que Manning sofria de distúrbios emocionais e chegou a recomendar que fossse submetido a tratamento, revogando a permissão de acesso à informação secreta e não enviá-lo ao Iraque.

“Tentei determinar se tinha algum tipo de comportamento psicótico”, afirmou.

“A senhora chegou a perceber se Manning tinha um grau muito elevado de paranoia?”, perguntou o advogado de Defesa, David Coombs.

“Exatamente”, respondeu Showman.

Perguntada se pensava que a “paranoia” de Manning, que é homossexual, poderia estar ligada a “problemas de identidade sexual”, disse que “nada indicava isto”.

A promotoria também interrogou Showman sobre um desentendimento que teve com Manning três semanas antes da detenção do soldado, em maio de 2010, e que levou à sua destituição.

“Foi afastado do cargo porque me bateu no rosto sem que eu o provocasse. Era incontrolável”, disse.

Showman acrescentou na audiência que ficou “furiosa” quando viu que o nome de Manning apareceu na lista de militares que seriam enviados ao Iraque.