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WikiLeaks publica milhões de e-mails da Stratfor

Empresa de inteligência e análise estratégica condena vazamento de dados

Por Da Redação - 27 fev 2012, 12h41

A rede WikiLeaks, que abalou a diplomacia mundial em 2010, anunciou nesta segunda-feira que começou a publicar mais de cinco milhões de emails confidenciais da Stratfor, empresa americana privada de inteligência e análise estratégica. As mensagens eletrônicas, datadas entre julho de 2004 e dezembro de 2011, revelaram o uso de “redes de informantes, estruturas de suborno, técnicas de lavagem de dinheiro e o emprego de métodos de cunho psicológico”, afirma um comunicado do WikiLeaks.

“Os documentos mostram como trabalha uma empresa privada de informação e como investigam pessoas para seus clientes corporativos e governamentais”, acrescenta o comunicado. O WikiLeaks afirma ter provas da existência de vínculos confidenciais entre a Stratfor e firmas como a Indienne Bhopal’s Dow Chemical Co. e a Lockheed Martin, assim como organizações governamentais, entre elas o Departamento de Estado, o de Segurança Interior (Homeland Security), o Corpo de Fuzileiros Navais e o órgão de informação para Defesa.

O WikiLeaks, em seu comunicado, promete também que essa nova publicação vai provar a intenção da Stratfor de “subverter” a web e vai mostrar como os americanos tentaram “atacar” Julian Assange, fundador do site. A Stratfor, fundada em 1996 por George Friedman, define-se como “provedora de um serviço de análise geopolítica por assinatura”.

Segundo a página da companhia texana, “ao contrário dos canais tradicionais de notícia, a Stratfor utiliza os serviços de inteligência para coletar informações graças a um rigoroso software de monitoramento de canais abertos de informação e uma rede global de fontes humanas”. A empresa privada promete a seus assinantes “conhecimento profundo dos assuntos internacionais, que abrange o que acontece, por que acontece e o que ainda vai acontecer”.

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De acordo com o WikiLeaks, a dimensão dessas mensagens só será entendida em algumas semanas, quando os meios de comunicação associados e o público examinarem as mensagens. Entre esses associados estão a revista Rolling Stone, o italiano La Repubblica e o site francês owni.fr.

Acusações – O WikiLeaks também afirma ter a prova de que a Stratfor deu assinatura ao general paquistanês Hamid Gul, ex-chefe dos serviços secretos do país, que segundo documentos diplomáticos dos Estados Unidos preparava um ataque com uma bomba artesanal contra membros das forças internacionais no Afeganistão em 2006.

O grupo WikiLeaks diz ainda que tem evidências de que a Stratfor monitorou a movimentação online de ativistas que buscavam reparações para a catástrofe de Bhopal (Índia). Esse acidente, o pior da história da indústria mundial, deixou milhares de mortos depois de uma nuvem de gás tóxico escapar da fábrica de pesticidas do grupo Dow Chemical/Union Carbide.

Manning – O jovem soldado americano Bradley Manning, suspeito de ser o informante do portal, foi acusado formalmente na sexta-feira por um tribunal por “conspiração com o inimigo”. Bradley Manning é acusado de ter vazado para o WikiLeaks, entre novembro de 2009 e maio de 2010, documentos militares dos Estados Unidos sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, assim como 260 mil comunicados diplomáticos do Departamento de Estado, desencadeando uma tempestade nas chancelarias de todo o mundo.

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Em comunicado, a Stratfor condenou o que chamou de “deplorável, lamentável e ilegal violação de privacidade”. A companhia ainda lembra um ataque hacker que sofreu em dezembro e assegurou que não se trata de um mesmo incidente e que os dados de seus assinantes permanecem seguros.

Assange – O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, atualmente está na Grã-Bretanha e tenta evitar uma extradição para a Suécia, país que quer interrogá-lo por quatro supostos crimes sexuais, incluindo um estupro. O WikiLeaks teme que, caso Assange seja extraditado para a Suécia, Estocolmo o envie aos Estados Unidos.

(Com agência France-Presse)

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