Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Violência na Síria às vésperas de reunião internacional em Paris

Por -
5 jul 2012, 19h04

O conflito armado na Síria não mostrava nesta quinta-feira sinais de redução na véspera de uma reunião internacional em Paris que debaterá o destino do presidente sírio, Bashar al-Assad, mas que é boicotada pela Rússia, aliada de Damasco.

Neste contexto, Moscou confirmou ter sido solicitado para oferecer asilo político ao presidente Bashar al-Assad, classificando a proposta de “brincadeira”.

A China se juntou à Rússia anunciando que também boicotará a conferência dos Amigos do Povo Sírio, que deve reunir mais de cem países árabes e ocidentais, assim como organizações internacionais e representantes da oposição síria.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, viajou nesta quinta-feira para Paris, enquanto o primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, afirmou que a França e os Estados Unidos trabalharão “de mãos dadas” na questão síria.

Continua após a publicidade

Para tentar novamente pôr fim a cerca de 16 meses de violência, a reunião de Paris reafirmará a sua “condenação à repressão” e apresentará “coisas concretas” para fazer pressão sobre o governo, apoiar a população e a oposição, segundo uma fonte diplomática.

Os combates entre soldados e rebeldes, assim como o bombardeio de redutos dos insurgentes eram mantidos incessantemente nesta quinta-feira.

No dia seguinte a uma nova jornada sangrenta que deixou cerca de 100 mortos, em sua maioria civis, o registro da violência chegava nesta quinta-feira a 27 mortos em todo o país, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Continua após a publicidade

O fluxo de refugiados permanecia intenso nos países vizinhos. Entre 4.000 e 5.000 sírios chegaram nesta semana à Jordânia, anunciou nesta quinta-feira o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

Um 15º general sírio e vários oficiais desertaram na quarta-feira, cruzando a fronteira com a Turquia. Segundo especialistas, essas novas deserções derrubam o moral do Exército. Washington saudou essas deserções, com o Departamento de Estado indicando que espera que “continuem em um bom ritmo”.

Em uma entrevista concedida nesta quinta-feira ao jornal turco Cumhuriyet, Assad disse novamente que conta com o apoio do povo sírio, assegurando que os manifestantes tinham sido “pagos” por forças estrangeiras para desestabilizar seu país.

Continua após a publicidade

Desde o início da revolta em março de 2011, o governo não reconhece a amplitude ou movimento, classificado de “terrorismo” por Assad.

“Se eu não tivesse o apoio do povo, teria sido derrubado como o xá do Irã (Reza) Pahlavi. Todos aqueles que pensavam que eu teria o mesmo destino, se enganaram”, acrescentou Assad.

Frente ao recrudescimento da violência, o chefe dos observadores da ONU na Síria, general Robert Mood, criticou a comunidade internacional, que, segundo ele, apenas faz reuniões em “hotéis de luxo”.

Continua após a publicidade

Forçado a suspender em meados de junho as operações dos 300 homens sob suas ordens em razão da violência, ele se manifestou nesta quinta contra a ideia de um fornecimento de armas aos observadores, considerando que isso modificará radicalmente as relações com a população.

No dia 30 de junho em Genebra, as grandes potências, incluindo a Rússia, assim como a Turquia e os países árabes, chegaram a um acordo sobre os princípios de uma transição na Síria, mas divergiram em sua interpretação.

Washington considerou que o acordo abriria o caminho para o fim da era “pós-Assad”, enquanto Moscou e Pequim reafirmaram que cabia aos sírios determinar o seu futuro. O presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad, aliado de Damasco, considerou que os sírios devem poder “decidir livremente seu destino”.

Continua após a publicidade

E o chefe da diplomacia iraquiana Hoshyar Zebari, cujo país mantém um neutralidade benevolente em relação ao regime, descartou a ideia de uma saída da crise, como ocorreu no Iêmen, onde o chefe de Estado cedeu seu lugar a seu vice-presidente em troca de imunidade.

A oposição síria também está dividida e suas negociações na segunda e na terça-feira no Cairo terminaram de forma tensa, inclusive com agressões físicas.

Enquanto isso, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, pediu que a Síria evite qualquer escalada com a Turquia, depois que um avião de combate turco foi abatido pela defesa síria.

Por fim, o WikiLeaks começou a revelar cerca de 2,5 milhões de mensagens eletrônicas sobre a Síria, envolvendo principalmente empresas ocidentais que colaboraram com Damasco após o início da repressão, segundo o site.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.