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Vietnã celebra 40 anos do fim da guerra com críticas aos EUA

A guerra do Vietnã, entre 1955 e 1975, provocou a morte de mais de 2 milhões de vietnamitas, muitos deles civis vítimas dos bombardeios, e de 58.000 militares americanos

Por Da Redação 30 abr 2015, 08h07

O Vietnã celebra nesta quinta-feira o 40º aniversário da queda de Saigon, o último episódio da guerra, com duras críticas aos Estados Unidos e um desfile que recordou a entrada dos tanques das forças comunistas na cidade. “Cometeram inúmeros crimes bárbaros, provocaram perdas incomensuráveis e muita dor à população de nosso país”, disse o primeiro-ministro Nguyen Tan Dung para a multidão reunida diante do Palácio da Independência, tomado há 40 anos pelos tanques do Vietnã do Norte. O “fervoroso patriotismo” permitiu a vitória final graças à “brilhante e criativa direção do Partido Comunista”, acrescentou Dung, diante de milhares de soldados. A guerra do Vietnã, entre 1955 e 1975, provocou a morte de mais de 2 milhões de vietnamitas, muitos deles civis vítimas dos bombardeios, e de 58.000 militares americanos.

Centenas de milhares de pessoas ficaram feridas, muitas delas intoxicadas pelo ‘agente laranja’, um herbicida que contém dioxina e que os americanos lançaram em várias regiões do país. O conflito dividiu profundamente a opinião pública americana, abalada pela morte de milhares de jovens soldados, e foi a primeira grande derrota de uma superpotência que se considerava, até então, invencível.

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O sofrimento dos civis vietnamitas e o massacre de centenas de habitantes do vilarejo de My Lai pelo exército americano, em março de 1968, provocaram a rejeição da opinião pública dos Estados Unidos, que começou a protestar contra a guerra. Nenhum representante de Washington compareceu ao desfile, mas o embaixador americano deve participar em uma pequena cerimônia no consulado da Cidade de Ho Chi Minh com uma associação de veteranos.

Indiferença – A Cidade de Ho Chi Minh, o nome de Saigon depois da guerra, estava fechada nesta quinta-feira para permitir o desfile dos regimentos diante das principais autoridades do regime comunista, que viajaram de Hanói. Muitos blindados passaram diante dos principais dirigentes do Vietnã, um deles com uma grande imagem de Ho Chi Minh, o pai da independência.

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A cerimônia foi transmitida ao vivo pela televisão, com a participação de muitos veteranos, que relataram o orgulho do combate contra os americanos. “Um acontecimento como este é necessário para ajudar os jovens a entender o passado glorioso de nosso país”, disse Nguyen Van Hung, 72 anos, que assistiu ao desfile com o antigo uniforme militar do período da guerra.

O governo utiliza as vitórias militares para legitimar seu poder, mas a percepção que os vietnamitas têm da guerra evoluiu para além do relato histórico oficial, destaca Tuong Vu, professor de Ciências Políticas da Universidade de Oregon. Antes, as pessoas consideravam que era uma guerra de “libertação nacional e de unificação”, mas agora muitos consideram a guerra “um acontecimento trágico em que vietnamitas mataram outros vietnamitas, uma guerra civil”, disse.

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Neste contexto, os vietnamitas são cada vez mais indiferentes aos espetáculos de patriotismo oficial. “Não estou interessado no desfile, é ruim para os negócios”, disse Nguyen Thi Dieu, dono de um restaurante no centro da Cidade de Ho Chi Minh, área fechada ao trânsito. No fim dos anos 1980, o regime comunista vietnamita progrediu para uma economia capitalista, o que estimulou o crescimento econômico, mas o país segue sofrendo com a corrupção e a desigualdade. Mas no plano político, o Partido Comunista continua exercendo o poder em um sistema de partido único, em que a liberdade de imprensa e a liberdade de opinião não são toleradas.

(Da redação)

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