Mulher soterrada é resgatada mais de 35 horas após terremoto na Colômbia; veja vídeo
Daniela Largo foi encontrada com vida sob os escombros do prédio onde morava, em meio a buscas frenéticas por sobreviventes da tragédia que matou 216
Socorristas e voluntários colombianos resgataram com vida, na noite de terça-feira 11, uma mulher de 32 anos que estava sob os escombros de um prédio que desabou, em meio a gritos e aplausos, enquanto as equipes de emergência, exaustas, procuram mais sobreviventes do terremoto mais forte registrado no país neste século.
Daniela Largo passou mais de 35 horas sob as ruínas de um hotel e foi retirada em uma maca dos escombros em Pereira, uma das cidades mais afetadas, enquanto as equipes de resgate e os parentes gritavam de alegria. O vídeo do momento foi compartilhado pelo Corpo de Bombeiros de Bogotá nas redes sociais.
¡Logramos rescatar a Daniela!
SigaLuego de 36 horas bajo los escombros, Daniela Largos Sánchez, de 32 años, fue rescatada con vida. En un trabajo articulado con Bomberos Pereira y PONALSAR, nuestro equipo USAR logró salvar una vida más. pic.twitter.com/InTwQBnIS5
— Bomberos Oficiales de Bogotá (@BomberosBogota) August 12, 2026
O terremoto de magnitude 7,4 sacudiu na manhã de segunda-feira várias cidades da região cafeteira colombiana. Em meio às ruas repletas de vidros, pedaços de muros e cabos pendurados, avançam os trabalhos de resgate. As autoridades revisaram o número de mortos, reduzido para 216, depois de correções feitas pelo governo de Valle del Cauca e pela prefeitura de Cali.
“No momento em que estávamos perdendo as esperanças, recebemos uma ligação”, disse à agência de notícias AFP a mãe de Daniela, Sandra Milena Pérez, explicando que um vizinho ouviu gritos de socorro e chamou voluntários e socorristas profissionais para tentar salvar Daniela.
Lá e em Cali, que também sofreu danos graves, as famílias dormem nos parques com medo dos tremores secundários. Quarteirões inteiros foram reduzidos a escombros.
“Com as mãos, com luvas, trabalhamos (…) É triste ver que o tempo está passando para encontrar gente com vida”, disse Pablo César Ruiz, socorrista voluntário em Cali.
Busca não para
Beatriz Arcos ficou presa por quase uma hora sob os escombros de seu apartamento, em Cali. Uma parede desabou sobre ela, que foi atendida no hospital e voltou para ver o que restou do prédio de três andares onde morava.
“É tão rápido que nem dá para explicar. Meu marido sofreu, minha mãe feriu as pernas”, contou Beatriz, ainda com as costas doloridas. Sentada em frente ao prédio, ela espera que seu filho consiga salvar, ao menos, os documentos da família.
As equipes de emergência trabalhavam com guindastes, cães e máquinas, enquanto voluntários formavam correntes humanas para remover os escombros manualmente. Moradores se unem aos bombeiros para cavar com picaretas, pás ou até com as mãos entre os escombros. Em alguns momentos, as equipes de resgate param para escutar sinais de vida: o voluntário Andrés Felipe Mejía explicou que um simples assobio de resposta anima as brigadas, contando à AFP que foi assim que chegaram até um homem e seu neto, um bebê, em um prédio desabado — embora a mãe da criança continue presa.
Várias instalações hospitalares foram danificadas e muitos pacientes tiveram que ser atendidos na calçada. Escolas públicas não voltaram a abrir nesta quarta-feira, 12. O terremoto também afetou seis aeroportos e dois permanecem fechados para voos comerciais. O presidente Abelardo de la Espriella, que tomou posse em 7 de agosto, declarou estado de emergência no país e visitou as cidades mais afetadas.
“Perdemos tudo”
Localizada no turístico Eixo Cafeteiro, Pereira foi a segunda cidade mais afetada, com 72 mortos. A maioria dos seus mais de 480 mil habitantes ficou sem acesso à energia elétrica e muitos escolheram passar as noites ao relento, por medo dos tremores secundários ou porque suas casas estão muito danificadas.
“É coisa de filme de terror, porque está tudo escuro, mas também é muito bonito ver como as pessoas se unem”, disse Daniel Hernández, tatuador e voluntário de 31 anos.
Um abrigo improvisado foi instalado em um parque. Nos supermercados, há relatos de escassez de água e alimentos, mas milhares de pessoas levaram água, comida e suprimentos aos bairros afetados, enquanto longas filas se formaram diante dos centros de doação de sangue.
“Perdemos tudo, mas estamos vivos”, disse à AFP John Tabasco, garçom de 23 anos, ao lado de sua mulher e de seu filho de sete meses. “Foram momentos de medo, pânico, psicose”, acrescentou.
Durante uma visita a Pereira na terça-feira, De la Espriella anunciou ajuda aos desabrigados, incluindo subsídios de moradia. Além disso, o governo dos Estados Unidos, aliado do novo governo, ofereceu uma ajuda de US$ 15,5 milhões (R$ 80 milhões), enquanto a União Europeia anunciou que liberou 2 milhões de euros (quase R$ 12 milhões) para ajudar a Colômbia.
O epicentro do terremoto foi localizado perto de San José del Palmar, em Chocó, uma região pobre de difícil acesso devido aos danos nas rodovias. O tremor evoca a tragédia do forte terremoto de 1999, que deixou quase 1.200 mortos na zona cafeteira.







