Vídeo: Ministro israelense se junta a centenas de extremistas em invasão à mesquita de Al-Aqsa
Ultradireitista Itamar Ben-Gvir estava entre as mais de 1.200 pessoas na nova incursão ao local sagrado de Jerusalém onde acordo proíbe rituais judaicos
O ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, se juntou a centenas de extremistas judeus que invadiram, nesta segunda-feira, 28, o complexo da mesquita de Al-Aqsa, o local sagrado mais sensível de Jerusalém. O santuário é conhecido pelos muçulmanos como Al-Haram al-Sharif e pelos judeus como Monte do Templo.
Segundo o Departamento Islâmico Waqf, responsável pela administração do santuário, mais de 1.200 pessoas entraram no complexo ao longo da manhã. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o grupo cantando, dançando e realizando orações no local.
Durante a invasão, Ben-Gvir afirmou que os israelenses são “os donos” do complexo e defendeu a soberania israelense sobre a área. “Hoje, somos os donos do Monte do Templo. Somos os donos das prisões”, declarou o ministro, acrescentando que Israel estaria no “caminho para a vitória total”.
Sob um antigo acordo frágil, conhecido simplesmente como “status quo“, o local proíbe rezas por não muçulmanos. Ben-Gvir tem minado esse trato nos últimos anos por meio de uma série de visitas provocativas e de alterações unilaterais nas regras para visitantes judeus, incluindo a permissão para que realizem orações e levem material religioso impresso ao local.
Em julho, o ministro israelense estava entre os mais de 3.000 extremistas judeus que, escoltados por policiais armados, fizeram orações, agitaram a bandeira de Israel e cantaram o hino nacional em uma demonstração provocativa de poder que tomou partes do complexo próximas à mesquita e ao santuário do Domo da Rocha, que remonta ao século VII.
A nova passagem de Ben-Gvir pelo local ocorreu durante o terceiro dia do feriado judaico de Sucot, que provocou um reforço das restrições de circulação na Cidade Velha de Jerusalém. Autoridades palestinas afirmaram que forças israelenses fecharam ruas e cruzamentos próximos ao complexo, enquanto comerciantes palestinos receberam ordens para fechar estabelecimentos no Mercado dos Mercadores de Algodão, uma das vias de acesso ao santuário. Cerca de 200 moradores também teriam recebido instruções para permanecer dentro de suas casas durante as cerimônias judaicas.
“Dezenas de proprietários palestinos de lojas, cafés e restaurantes no Mercado de Comerciantes de Algodão, na Cidade Velha de Jerusalém, foram forçados a fechá-los durante o feriado judaico de Sucot para dar lugar às orações judaicas no mercado”, disse a Associação de Direitos Civis em Israel em um comunicado.
O porta-voz da Presidência da Autoridade Palestina, Nabil Abu Rudeineh, classificou o episódio como uma “provocação perigosa para os sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo” e acusou Israel de buscar uma “guerra religiosa” na região.





