Vídeo: homem é preso após provocar explosão em frente a prédio do ICE em Nova York
Duas pessoas, incluindo um funcionário federal, sofreram ferimentos leves e receberam cuidados médicos
Um homem foi preso nesta segunda-feira, 20, após provocar uma explosão em frente ao prédio do Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), em Nova York. Duas pessoas, incluindo um funcionário federal, sofreram ferimentos leves e receberam cuidados médicos, segundo as autoridades.
A explosão ocorreu em frente ao edifício 26 Federal Plaza, em Manhattan, que abriga, entre outros órgãos, o escritório de campo do ICE em Nova York e um tribunal de imigração. O prédio tem sido palco de inúmeras detenções de requerentes de asilo e imigrantes, que ficam presos em celas no 10º andar.
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Imagens registraram o momento em que o suspeito despejou um líquido inflamável na entrada do prédio e, em seguida, ateou fogo, provocando um incêndio. O Corpo de Bombeiros foi acionado para controlar as chamas.
De acordo com o diretor-assistente do FBI em Nova York, James Barnacle, o homem carregava um artefato incendiário, uma arma de pressão e um cartaz com a frase “ICE Off Our Streets” (“ICE fora de nossas ruas”). As autoridades afirmaram ainda que o suspeito já tinha histórico de ações contra o serviço de imigração dos EUA.
O homem foi detido no local e o caso é investigado pela Força-Tarefa Conjunta de Combate ao Terrorismo de Nova York, coordenada pelo FBI e integrada pelo Departamento de Polícia da cidade.
Nova crise
O “czar da fronteira” dos Estados Unidos, Tom Homan, anunciou neste domingo, 19, que os agentes de campo do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) passarão a usar câmeras corporais obrigatoriamente durante abordagens de trânsito. A nova diretriz nacional surge na esteira de uma crise de imagem da agência, em um governo que tem a imigração como pilar, após a morte a tiros de dois imigrantes desarmados gerar protestos exigindo transparência. A adoção da tecnologia ocorre simultaneamente a uma polêmica reversão de políticas do presidente Donald Trump, que forçou o retorno imediato dessas operações apenas um dia depois de o próprio ICE tê-las suspendido por segurança.
O estopim da atual crise ocorreu com a morte de dois homens em um intervalo de seis dias. No dia 7, o mexicano Lorenzo Salgado Araujo foi morto em Houston, no Texas. Dias depois, o colombiano Joan Sebastián Durán Guerrero foi baleado em Biddeford, no Maine. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) admitiu que as vítimas não eram os alvos principais das operações. Agentes dispararam alegando que os motoristas tentaram fugir ou usar os veículos como armas, justificativas que acabaram contestadas por testemunhas e pelas famílias.
A escalada letal levou a direção do ICE a suspender temporariamente as abordagens de veículos para reavaliar os protocolos. A pausa, contudo, durou pouco. Trump exigiu a retomada imediata das ações, afirmando que abrir mão da tática seria ceder terreno aos criminosos. Tom Homan, que inicialmente concordara com a revisão, inverteu sua posição para defender a ordem presidencial. Ele foi além e culpou a oposição democrata pelas mortes recentes, alegando que a “retórica” anti-ICE encoraja a resistência às prisões, e alertou que haverá “mais derramamento de sangue” se os críticos não se calarem.
As declarações e as mortes sem registros visuais inflaram a reação da sociedade civil. Movimentos organizaram marchas em Orlando, Boston, Houston e cidades do Maine, engrossando o coro por transparência e reformas na agência. O fato de os oficiais envolvidos não utilizarem câmeras corporais alimentou ainda mais a indignação e as cobranças de legisladores democratas.







