Vídeo: dois homens são resgatados em túnel nove dias após inundações no Nepal
Sobreviventes foram levados de avião para hospital em Katmandu; Tragédia deixou mais de 1.300 mortos e quase 4.500 desaparecidos
Após nove dias presos em um túnel de uma usina hidrelétrica no Nepal, dois trabalhadores foram resgatados com vida nesta sexta-feira, 4, em meio às operações de busca pelas vítimas das inundações repentinas que atingiram o país.
A tragédia, provocada pelo colapso parcial de uma geleira que caiu em um rio, deixou mais de 1.300 mortos e quase 4.500 desaparecidos nos dois lados da fronteira entre o Nepal e o Tibete, um território autônomo chinês.
Os sobreviventes foram encontrados a cerca de 170 metros de profundidade no túnel da usina Trishuli 3A, uma das instalações afetadas pela avalanche de água, lama e destroços que devastou a região na semana passada. Sanjay Shah, encarregado de obra, foi o primeiro a ser resgatado. Pouco depois, os socorristas retiraram Kabir Maharjan, um supervisor de projeto, do local.
Os dois sobreviventes foram levados de avião para um hospital em Katmandu. Shah está em condição estável, enquanto Maharjan permanece em estado crítico e foi encaminhado à UTI.
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Imagens divulgadas pelo Exército nepalês mostram Shah saindo da estreita entrada do túnel, completamente coberto de lama. Ao falar com militares após o resgate, sua primeira pergunta foi: “Que dia é hoje?”
Shah contou que estava na sala de controle no momento da inundação, junto com cerca de 40 a 45 outras pessoas. Ele então percorreu o túnel alertando os trabalhadores para que corressem e tentassem escapar.
“Minha responsabilidade era salvar a vida de todos”, relatou. “Depois de um acidente como esse, eu não poderia simplesmente fugir sozinho.” O esforço para ajudar os colegas, porém, acabou fazendo com que ele próprio não conseguisse deixar o local a tempo.
Segundo a polícia, as buscas no local foram interrompidas na tarde desta sexta-feira depois que os socorristas deixaram de detectar novos sinais de vida.
Busca por desaparecidos
As autoridades nepalesas estimam que cerca de 900 trabalhadores estejam desaparecidos em 12 usinas hidrelétricas. Desse total, aproximadamente 500 podem estar presos em túneis.
Com todos os necrotérios lotados, as autoridades também autorizaram, desde o último domingo, por razões sanitárias, o sepultamento de vítimas sem esperar a identificação formal, após exames de DNA.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, disse que ainda mantém a esperança de que alguns dos milhares de desaparecidos possam estar vivos.
“Milagres acontecem”, disse ele à AFP. “No momento, não quero perder completamente a esperança.”
Entre as pessoas desaparecidas estão mais de 800 estrangeiros de mais de 30 países: 583 no Nepal e 261 na China. As pessoas não localizadas incluem turistas que viajaram para fazer trilhas no Himalaia, assim como peregrinos hindus em uma jornada espiritual no monte sagrado Kailash, no Tibete.





