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‘Vídeo de intervenção venezuelana é montagem grosseira’

Ex-presidente paraguaio Fernando Lugo diz que imagens 'tentam comprometer inutilmente os diplomatas estrangeiros em manobras que nunca aconteceram'

A equipe do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo qualificou nesta quarta-feira como “montagem grosseira” o vídeo distribuído na terça-feira pelo novo Executivo, que busca provar a intervenção da Venezuela na crise do Paraguai. Em comunicado divulgado pelo site Paraguai Resiste, Lugo denunciou que o vídeo “tenta comprometer inutilmente diplomatas estrangeiros em manobras que nunca aconteceram”, com o intuito de desviar a atenção do “golpe parlamentar” que lhe custou o cargo.

O ex-mandatário alegou que as gravações do circuito fechado de segurança do Palácio do Governo expõem os chanceleres que estiveram no Paraguai a uma “situação vergonhosa”. A ministra da Defesa, María Liz García, que entregou na terça as filmagens à imprensa, manteve sua posição de que o material demonstra sua denúncia de que houve um “incentivo” de Maduro e de Julio Prado, embaixador equatoriano, aos altos comandantes militares do país para assegurar sua lealdade a Lugo durante a crise que levou a sua destituição.

Maduro se encontrava em Assunção durante uma missão da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para mediar a crise. Nos vídeos, observa-se o deslocamento de Maduro, Prado e outros chanceleres da Unasul, de altos comandantes e várias outras pessoas, mas não se observa qualquer reunião do venezuelano com os militares nem se distinguem conversas nas fitas com áudio.

Lugo acusou também a imprensa de promover a versão de que a presença dos diplomatas na antessala da Presidência é uma prova irrefutável de conspiração, o que demonstra um “absoluto desprezo pela seriedade” e coloca sob tensão as relações internacionais do país.

“Qualquer diplomata que visite o Palácio do Governo do Paraguai de agora em diante poderá ser objeto de exposição desnecessária, com a difusão de imagens de suas câmeras de segurança, com a edição de imagens que não demonstram absolutamente nada”, alertou. Segundo Lugo, é preciso “apenas bom senso” para entender que os cargos civis e comandantes militares de um país “devem estar com seu presidente em momentos em que se consuma um golpe constitucional”.

A ministra da Defesa prestou depoimento à Promotoria sobre o caso. A promotora encarregada, Stella Mary Cano, disse à imprensa que María se baseou na versão da reunião com Maduro que o chefe da Força Aérea, Miguel Christ, deu. Segundo a promotora, Christ disse que o chanceler venezuelano argumentou que, “fosse qual fosse o resultado do julgamento político (pelo qual Lugo passava então), as Forças Militares responderiam ao então presidente Fernando Lugo”.

(Com agência EFE)