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Vice-presidente iraquiano estuda possibilidade de exílio

Por Por Shwan Mohammed 25 dez 2011, 18h31

O vice-presidente do Iraque, Tarek al-Hashemi, disse neste domingo à AFP que não confia na Justiça iraquiana, e que estuda a possibilidade de exílio, após ser alvo de um mandado de prisão por suposta atividade terrorista.

Refugiado na região autônoma do Curdistão (norte) e hospedado na residência de Jalal Talabani, presidente iraquiano, Hashemi admite que alguns de seus seguranças podem ter cometido atentados, mas desmentiu qualquer conhecimento destes fatos.

Perguntado se planeja ir a Bagdá para ser julgado, Hashemi respondeu à AFP: “É claro que não”, por que falta segurança na capital e o sistema judiciário está dominado pela política.

“A maioria dos meus homens foi presa. Como posso voltar a Bagdá com segurança?” – perguntou Hashemi em Qalachwalan. “Além do mais, o Conselho Judicial iraquiano está sob o controle do governo central e isto é um grande problema”.

“Diante de tudo isto, pedi para ser julgado no Curdistão (…). Aqui a Justiça não sofre influência política”.

A ordem de prisão contra o vice-presidente sunita agravou a crise entre o primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki, e o grupo parlamentar Iraqiya, ao qual Hashemi pertence.

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Hashemi, que já deu várias entrevistas nos últimos dias para denunciar Maliki, garantiu à AFP que permanece na função de vice-presidente, e que poderá viajar ao exterior com as prerrogativas do cargo.

A Turquia já adiantou que receberá Hashemi se houver um pedido de asilo político, mas estimou que o vice-presidente deve continuar no Iraque.

“Não tenho planos para sair do Iraque no momento, exceto se minha segurança estiver ameaçada”, declarou o vice iraquiano à AFP. “Se isto ocorrer, vamos analisar o que fazer”.

Hashemi assumiu a vice-presidência do Iraque em 2006, cargo que foi ratificado no acordo de divisão do poder após as eleições de 2010.

Segundo Hashemi, agora corresponde a Maliki e a seus aliados políticos reduzir a tensão para superar a “grave crise” atual.

“A situação agora é mais complexa do que antes. Se fracassarmos, penso que o Iraque cairá novamente na tirania e todos os iraquianos sairão perdendo”.

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