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Vice-presidente do Iraque diz ser inocente e alvo de perseguição

Bagdá, 20 dez (EFE).- O vice-presidente sunita do Iraque, Tareq Al Hashemi, assegurou nesta terça-feira que é ‘inocente’ e se mostrou disposto a responder todas as acusações na Justiça, isso depois que as autoridades locais emitissem uma ordem de prisão contra ele por supostos crimes de terrorismo.

‘Juro que sou inocente, já que não cometi nenhum pecado contra meu país e nem contra nenhum cidadão iraquiano’, disse Al Hashemi em uma entrevista coletiva em Erbil, capital do Curdistão iraquiano, transmitida pela televisão ‘Al Bagdadiya’.

Al Hashemi se mostrou disposto a comparecer perante a Justiça, mas pediu para seu processo judicial ser transferido ao Curdistão iraquiano, já que ele não voltará para Bagdá até que sua situação volte ao normal.

‘Proponho que o processo seja transferido em sua totalidade para o Governo do Curdistão (iraquiano) e também que essa investigação seja acompanhada por representantes da Liga Árabe e da União de Advogados Árabes’, declarou.

Al Hashemi também se queixou da politização da Justiça em seu país e de sua dependência do poder Executivo.

‘Me estranha, como vice-presidente da República do Iraque, que (o presidente dos Estados Unidos) Barack Obama possa dizer que transformou o Iraque em um país democrático e com uma Justiça independente’, acrescentou.

‘Como vice-presidente do Iraque, eu pergunto ao senhor Obama: de que democracia está falando o senhor presidente?’, questionou Al Hashemi.

O responsável iraquiano considerou que o objetivo desta ordem de prisão é prejudicar sua imagem como político e ressaltou que as circunstâncias do caso são ‘suspeitas’. Isso porque, em apenas 48 horas, foram realizados um interrogatório e uma investigação sobre supostos crimes ‘antigos e complicados’.

O porta-voz do Ministério do Interior, o general Adel Daham, divulgou essa ordem de prisão contra Al Hashemi, acusado de crimes relacionados com o terrorismo, na última segunda-feira.

Após o anúncio, o bloco político de Al Hashemi, Al Iraqiya, decidiu boicotar as reuniões do Governo de união nacional, onde contam com oito ministros.

No último sábado, o Al Iraqiya resolveu suspender sua participação no Parlamento e, por isso, considera que essa prisão poderia estar relacionada com a politização da Justiça, o descumprimento da Constituição e o sectarismo da forças de segurança, entre outros. EFE