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Vice de Assad aparece em público após rumor de deserção

Ativistas descobriram centenas de corpos não identificados perto de Damasco

O vice-presidente sírio, Farouk al Charaa, apareceu em público neste domingo em Damasco pela primeira vez em cerca de um mês, depois que nas últimas semanas circularam rumores sobre sua deserção do regime e fuga do país.

Charaa participou de uma reunião com o presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Alaedin Bruyerdi, que também se reuniu com o presidente sírio, Bashar Assad, segundo imagens divulgadas pela televisão síria.

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No último dia 18 de agosto, o escritório do vice-presidente afirmou que ele seguia em seu posto, e não tinha intenção de abandonar a Síria – após a divulgação de notícias sobre uma possível fuga sua para a Jordânia. Apesar do desmentido, os rumores não diminuíram, e a oposição síria apontou que o vice de Assad se encontra sob prisão domiciliar.

A agência oficial síria Sana informou no sábado que foi enviado um e-mail falso aos meios de comunicação em seu nome anunciando a deserção de Charaa. A visita de Bruyerdi à capital síria volta a evidenciar o apoio de Teerã ao regime de Damasco, apesar de a Síria afundar cada vez mais na violência.

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Mortes – Cerca de 370 pessoas morreram no sábado, na Síria, sendo que pelo menos 200 das mortes ocorreram em Daraya, perto de Damasco, anunciou neste domingo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). O balanço do OSDH é impossível de ser confirmado por fontes independentes pelas restrições impostas pelas autoridades sírias à imprensa.

Na madrugada de domingo, o OSDH informou a descoberta de dezenas de corpos não identificados na localidade de Daraya, na região de Damasco. As descobertas macabras desse tipo, que geralmente envolvem corpos de vítimas de execuções sumárias, se multiplicam na Síria nas últimas semanas.

Os ativistas acusam as forças do governo de “massacre” e afirmam que as vítimas foram “sumariamente executadas”. A televisão estatal do país não comentou as acusações, mas disse que a cidade estava sendo “purificada” do que chamou de “terroristas remanescentes”.

Desde o começo da revolta contra Bashar Assad, em março de 2011, a violência deixou 25.000 mortos, segundo o OSDH, e mais de 200.000 sírios fugiram para países vizinhos, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

(Com agências EFE e France-Presse)