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Veterano louco pela aviação e ‘bom menino’: o perfil dos pilotos do voo desaparecido

Apontados como profissionais dedicados, piloto e copiloto do Boeing 777 estão no centro das suspeitas de autoridades dos Estados Unidos

Um dos pilotos do Boeing 777 da Malaysia Airlines, desaparecido há oito dias, é um entusiasta da aviação e montou seu próprio simulador de voo. O outro é apontado por pessoas próximas como um “bom menino”. A personalidade e a vida dos dois pilotos, o comandante Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, e seu copiloto, Fariq Abdul Hamid, de 27 anos, são examinadas em detalhes pelas autoridades da Malásia e de outros países. O interesse aumentou depois que o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razk, disse acreditar que o avião desapareceu “em uma ação deliberada” em 8 de março, quando voava com 239 pessoas a bordo, fazendo um trajeto entre Kuala Lumpur e Pequim, na China.

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O copiloto começou a trabalhar na companhia aérea Malaysia Airlines com apenas 20 anos, depois de estudar pilotagem na ilha malaia de Langkawi. Ele é filho de um funcionário de alto escalão do ministério de Obras Públicas de um dos estados da Malásia. De natureza dócil, ele frenquentava normalmente a mesquita de seu bairro, nos arredores de Kuala Lumpur. De vez em quando, Hamid participava de cursos de educação religiosa.

Um canal de televisão australiano exibiu nesta semana uma entrevista com uma jovem sul-africana, que afirmou que Hamid a convidou para entrar na cabine durante um voo entre Phuket, na Tailândia, e Kuala Lumpur, em 2011. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York, nos Estados Unidos, os pilotos foram proibidos de convidar qualquer passageiro à cabine de pilotagem durante o voo.

“Isto não tem nenhum fundamento. Acredito que é apenas um meio de desacreditar Fariq ou a companhia aérea. Ele é um bom menino, que não busca notoriedade”, disse Ahmad Sharafi Asrah, líder religioso muçulmano que diz conhecer o copiloto do voo MH370. A Malaysia Airlines anunciou ter ficado chocada com as afirmações da jovem na TV, mas o caso ainda precisa ser confirmado.

Hamid apareceu em fevereiro passado em um programa da CNN, no qual ajudava a pilotar um Boeing 777-200 que voava de Hong Kong a Kuala Lumpur, com o correspondente da rede de televisão, Richard Quest, a bordo. “Foi interessante ver como o avião pousou na pista”, declarou o jornalista no site da CNN, que classificou a técnica de Fariq como “perfeita”.

Enquanto o copiloto é um profissional menos experiente, o comandante Zaharie é um veterano, que começou a trabalhar na Malaysia Airlines em 1981 e conta com 18.365 horas de voo no currículo. Segundo um site criado no último sábado em homenagem ao piloto, ele gostava tanto voar que fabricou seu próprio simulador de voo, um meio de alimentar sua paixão nas horas de folga. Ele já publicou vídeos no YouTube nos quais explica, com entusiasmo, como consertar um aparelho de ar-condicionado, janelas e outros reparos domésticos.

Zaharie é citado por colegas de profissão como “um piloto fantástico”. Segundo a imprensa malaia, ele foi autorizado pelas autoridades da aviação civil de seu país a aplicar testes de simulação de voo em novos pilotos. A Malaysia Airlines se negou a fornecer informações sobre o comandante e seu copiloto, já que nenhuma informação incoerente sobre eles veio à tona até o momento.

Pilotos na mira das investigações – Embora sejam apontados como pessoas acima de qualquer suspeita, os pilotos são considerados suspeitos de envolvimento no sumiço do avião, de acordo com o presidente da comissão de segurança interna dos Estados Unidos, o senador Michael McCaul.

Em entrevista à rede de TV Fox News, ele indicou que ainda não está claro que o desaparecimento esteja ligado a um ato de terrorismo. No entanto, McCaul afirmou que as autoridades americanas estão atentas à possibilidade de que o avião tenha conseguido pousar em algum lugar para ser escondido e, posteriormente, seja usado em algum ataque terrorista.

“Com todas as informações que me foram fornecidas em alto nível, por meio do departamento de Segurança Interna, do centro nacional de antiterrorismo, da comunidade de inteligência, há algo com o piloto. Todas as pistas nos conduzem à cabine, ao piloto e o copiloto”, disse McCaul, sem dar mais detalhes.

Com agência France-Presse