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Veredicto de julgamento de Hosni Mubarak será divulgado no sábado

A justiça egípcia divulgará no sábado o veredicto de Hosni Mubarak, o primeiro líder derrubado pela “Primavera Árabe” a comparecer perante os juízes.

O promotor pediu a pena de morte para Mubarak, acusado de corrupção e de estar envolvido na morte de cerca de 800 manifestantes em janeiro e fevereiro de 2011, durante a mobilização de opositores que culminou com sua deposição. Mubarak negou estar envolvido nessas mortes.

Seu ex-ministro do Interior, Habib el Adli, e seis funcionários de alto escalão dos serviços de segurança também são julgados pelos mesmos motivos.

Os filhos do ex-presidente, Alaa e Gamal, são julgados por corrupção no mesmo julgamento, que começou no dia 3 de agosto de 2011, seis meses depois da renúncia de Mubarak.

No entanto, há quem tema que a justiça não poderá se pronunciar em condições adequadas, já que não foram fornecidas suficientes provas tangíveis da culpabilidade do presidente durante as audiências.

O veredicto será divulgado depois do primeiro e antes do segundo turno das eleições presidenciais. Estas eleições ocorrem após um agitado período de transição, no qual foram registrados novos episódios de violência.

Pela primeira vez em décadas estas eleições são realizadas em um clima de liberdade e sem intimidações. Trata-se de uma das principais mudanças que ocorreram no país desde a “revolução de 25 de janeiro” de 2011 e a detenção de Mubarak, em abril do ano passado.

Os islamitas da Irmandade Muçulmana, um movimento proibido durante muito tempo, se tornaram a maior força política do Egito, depois de vencerem as eleições legislativas.

No entanto, embora o Egito tenha vivido décadas com violações dos Direitos Humanos, com prisões políticas e tortura institucionalizada, segundo várias organizações não governamentais (ONG) a justiça pode absolver Mubarak. Por sua vez, o ex-presidente poderá apelar da decisão.

O promotor considerou ter provas suficientes e pediu a pena de morte para Mubarak.

Mas, durante as audiências, os familiares das supostas vítimas de Mubarak ouviram com preocupação ou com raiva diferentes testemunhas se contradizerem ou afirmarem que o ex-presidente e os outros acusados eram inocentes.

Um oficial de polícia disse que havia sido ordenado a tratar os manifestantes como irmãos. Outros indicaram ter recebido instruções de não utilizar armas durante as manifestações.

Um ex-assessor de Habib el-Adli declarou que o então ministro do Interior havia ordenado usar apenas bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água no dia 28 de janeiro de 2011, dia em que morreram mais pessoas.

“Na verdade, as testemunhas do promotor atuam como testemunhas de defesa”, afirmou um dos advogados de familiares das vítimas.

Várias testemunhas importantes, como o atual chefe de Estado do Egito desde a queda de Mubarak, o marechal Hussein Tantawi, testemunharam a portas fechadas, mas advogados presentes disseram que não acusou o ex-presidente.

Mubarak também é acusado de corrupção pela venda de gás natural egípcio a Israel, que teria sido realizada a um preço inferior ao de mercado, assim como por ter aceitado um suborno do executivo egípcio Hussein Salem.

O Exército negou ter desempenhado um papel na decisão de julgar Mubarak, mas o julgamento foi realizado após meses de manifestações hostis ao poder militar, nas quais pedia-se que o ex-presidente fosse julgado.