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Venezuela teve queda de 99% em receitas de petróleo em 6 anos, diz Maduro

Apesar de reconhecerem que sanções impostas pelos EUA exacerbaram a crise, analistas também atribuem origem à má gestão macroeconômica e à corrupção

Por Da Redação Atualizado em 30 set 2020, 11h15 - Publicado em 30 set 2020, 10h12

Em meio às sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos para tentar derrubar o governo, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou na terça-feira 29 que o país registrou nos últimos seis anos uma queda de 99% das receitas de petróleo.

“Entre 2014 e 2019 a Venezuela registrou a queda mais brusca de receitas externas de sua história, talvez seja a primeira vez que me refiro a estes números de maneira pública: em seis anos perdemos 99% do volume de receita em divisas”, afirmou Maduro em um discurso transmitido por rádio e televisão.

“De 2015 em diante o ritmo de queda das receitas externas da Venezuela alcança 30 bilhões de dólares ao ano. Este valor desafia a própria imaginação. Impossível sequer imaginar o tamanho da pressão aplicada a nossa economia”, destacou o herdeiro político do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013).

  • De acordo com Maduro – em sua gestão o país com as maiores reservas de petróleo do mundo está no sétimo ano de recessão –, “de cada 100 dólares ou euros que o país obtinha com a venda de petróleo em 2014, hoje recebe menos de um”.

    Isso fez com que a receita caísse de mais de 56 bilhões de dólares (em 2013) “a menos de 400 milhões de dólares no ano passado”, destacou, ao descrever a queda como “gigantesca”.

    O problema, indicou, “teve como causa inicial a guerra declarada contra os preços do petróleo para atacar os principais produtores do mundo”, e depois “passou para a fase dois, o colapso, o bloqueio total, a perseguição total à economia e às finanças do país”.

    Apesar de reconhecerem que as sanções exacerbaram a crise, analistas também atribuem a origem da crise à má gestão macroeconômica e à corrupção.

    Ao criticar as sanções aplicadas pelo governo do presidente americano de Donald Trump, que o chama de “ditador”, Maduro afirmou que o “bloqueio criminoso” obedece a “uma selvageria econômica” que afeta de maneira importante indicadores sociais como “mortalidade infantil e os níveis de nutrição da população.

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    A privada Pesquisa Sobre Condições de Vida (Encovi), divulgada em julho, revelou que os índices escalaram a níveis inéditos: a pobreza por renda atingiu 96,2% das famílias em 2019 e a pobreza extrema 79,3%, contra 92,6% e 76,5% em 2018.

    Maduro apresentou uma proposta de lei “antibloqueio” à Assembleia Constituinte – controlada pelo governo – que administra o país e que na prática assumiu as funções do Parlamento, único poder nas mãos da oposição.

    Com esta lei, Maduro espera que o governo consiga “avançar em novas modalidades que burlem todos os mecanismos de perseguição e bloqueio internacional”.

    Nesta semana, o primeiro de um grupo de três navios-tanque com combustível iraniano entraram em águas venezuelanas, de acordo com dados da Refinitiv Eikon, no sinal mais recente da expansão do comércio entre os países sancionados pelos EUA. Os dois membros da Opep aumentaram cooperação neste ano em trocas de combustível, alimentos, equipamentos e outros bens industriais, embora muitos detalhes sobre as transações não estejam disponíveis. 

    Descontentamentos entre a população são evidentes. De acordo com o Observatório de Conflitos Sociais, sediado em Caracas, mais de 100 protestos aconteceram desde o último fim de semana em 19 dos 23 estados venezuelanos para exigir que as autoridades forneçam água, energia elétrica e combustível. 

    Uma quarentena rigorosa aplicada por Maduro desde março também limita o movimento da população e, por consequência, prejudica fontes de renda.

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    “Estamos vendo uma nova onda de protestos, com a particularidade que desta vez os protagonista são aqueles que vivem em vilas e pequenas cidades da Venezuela”, disse Marco Ponce, diretor do observatório, em uma conferência virtual. 

    O governo enviou forças da segurança para reprimir os protestos, resultando em mais de 50 prisões, segundo Ponce.

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