Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Venezuela recorre a aliados para driblar impacto de sanções dos EUA

Washington prepara sanções e ações penais contra servidores venezuelanos que desviam recursos de programa de alimentos do regime de Maduro

O regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, recorre cada vez mais aos seus aliados Cuba, China, Irã, Turquia e Rússia para neutralizar a crise na área da saúde aprofundada pelas sanções dos Estados Unidos, afirmou nesta quarta-feira, 22, o ministro venezuelano da Saúde, Carlos Alvarado, em assembleia da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os venezuelanos estão sofrendo com a escassez aguda de remédios e equipamentos de saúde há vários anos, já que o país mergulhou no caos econômico e no conflito político. A oposição culpa a incompetência econômica e a corrupção do regime.

Em Genebra, Alvarado alegou que as sanções americanas provocaram o congelamento de 5,6 bilhões de dólares em ativos da Venezuela, incluindo ouro no Banco da Inglaterra e fundos em grandes instituições, como o Citibank. Essa valor cobriria as necessidades médicas da Venezuela durante seis anos, informou , em nota à imprensa. Ele ressaltou, porém, que todos os 300 hospitais da Venezuela estão funcionando, embora alguns careçam de medicamentos e peças para equipamentos.

“Hoje, certamente, podemos dizer que o maior problema de saúde é o bloqueio criminoso dos Estados Unidos de que somos vítimas”, afirmou Alvarado. “O que estamos fazendo na Venezuela para superar esta situação? Não ficamos de braços cruzados. Estamos fortalecendo nossas alianças com países como Cuba, China, Rússia, Turquia, Palestina e Irã.”

As sanções estão prejudicando toda a população, uma vez que a moeda estrangeira é insuficiente para as importações de remédios. Algumas doenças ressurgiram, como o sarampo, disse o ministro, que omitiu o fato de que a crise na saúde começou antes de as sanções americanas terem sido impostas.

Segundo o ministro venezuelano, a maior ameaça enfrentada pela Venezuela é de intervenção militar dos Estados Unidos contra o país. O presidente americano, Donald Trump, não descartou uma ação militar para remover o governo de Maduro, considerado ilegítimo. Os EUA e outros cinquenta países europeus e latino-americanos reconheceram o líder opositor Juan Guaidó, que invocou a Constituição para autodeclarar-se presidente interino em janeiro, como o líder genuíno da Venezuela.

Maduro mantém o controle das funções de chefe de governo e conta com apoio da cúpula militar. A crise levou 3,7 milhões de venezuelanos ao exterior, desde 2015, segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Alimentos

O enviado dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliott Abrams, disse nesta quarta-feira que o governo americano prepara sanções e processos contra funcionários públicos venezuelanos que supostamente lucram com o programa de alimentos subsidiados, os Comitês Locais de Abastecimento e Produção (Clap).

“Não temos uma data de anúncio das sanções e acusações que virão, mas este é um crime real porque envolve o que os venezuelanos mais pobres precisam para sobreviver. Eles sabem que este programa é corrupto, nós sabemos, estamos investigando os detalhes, e muito mais virá”, disse Abrams.

Perguntado sobre futuras ações, ele disse que os Estados Unidos anunciarão mais sanções com o decorrer do tempo e que o Departamento do Tesouro americano investiga há tempos a suposta corrupção no programa.

O Clap entrega alimentos importados de baixo custo, a cada quinze dias, a mais de 6 milhões de pessoas, de acordo com o governo Maduro. A Assembleia Nacional (Parlamento do país), controlada pela oposição, denunciou que o programa causou perdas patrimoniais milionárias por custos extras e corrupção.

No início do mês, o Tesouro americano divulgou um relatório no qual afirmava que funcionários públicos usavam o Clap para lavar dinheiro que supostamente obtiveram da corrupção. O documento denunciou que eles embolsavam diretamente o dinheiro que o governo venezuelano destinava a esse programa social e que, para esse desvio, se valiam de entidades na Panamá e México.

(Com Reuters e EFE)