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Venezuela prende 28 pessoas por aumento de preços

Perseguição de Maduro ao livre-comércio resulta na detenção de gerentes e empresários acusados de usura e especulação para desestabilizar o governo

Donos de lojas que aumentarem os preços na Venezuela, país que enfrenta uma taxa de inflação na casa dos 50% nos últimos 12 meses, estão correndo o risco de irem parar na cadeia. A ofensiva do governo de Nicolás Maduro ao livre-comércio, iniciada na semana passada, resultou até agora na detenção de 28 pessoas e emissão de outras 10 ordens de prisão, anunciou na noite desta segunda-feira a procuradora-geral do país, Luisa Ortega Díaz. Segundo ela, a ação foi “contra donos e gerentes das empresas e não contra trabalhadores”.

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No centro do caso está a cadeia de lojas de produtos eletrônicos Daka, cuja ocupação militar foi ordenada no sábado passado sob a alegação, feita pelo governo, de que a rede estebelece seus preços com base no câmbio paralelo, oito vezes superior ao oficial, de 6,30 bolívares o dólar. Maduro acusa os empresários de praticarem especulação para desestabilizar seu governo e tem atribuído os problemas financeiros da Venezuela, como a inflação fora de controle, a uma guerra econômica desencadeada por políticos da oposição e pelo “inimigo externo” – americanos e colombianos.

Em outra manobra para se mostrar implacável com os supostos inimigos da “Revolução Bolivariana”, o presidente da Venezuela anunciou nesta segunda a criação de uma procuradoria e de tribunais especiais para “atender em tempo real” os casos de “usura”. Em rede obrigatória de rádio e televisão, Maduro disse que o Ministério Público e o Tribunal Supremo de Justiça “decidiram, de forma imediata, criar uma procuradoria nacional especial para atender todos os casos de usura, de roubo descarado”.

“Era necessário uma medida destas características para atender, em tempo real, a usura, o roubo”, afirmou o herdeiro político de Hugo Chávez, que ainda chamou os empresários envolvidos de “parasitas da burguesia”, “bandidos e ladrões” e disse que estão sendo “descobertos em flagrante”.

As declarações do mandatário venezuelano foram dadas em mais um dia de corrida às lojas de eletrodomésticos em todo o país. Milhares de venezuelanos se amontoaram em frente aos estabelecimentos para aproveitar a “liquidação bolivariana” – a redução de preços forçada pelo governo.

A ação tem sido rejeitada pelas associações empresariais do país, que pediram respeito à propriedade privada. Na semana passada, o Banco Central Venezuelano anunciou que a inflação no país ficou em 5% em outubro, elevando a taxa nos últimos 12 meses aos 54%. Além disso, o comércio venezuelano atravessa uma severa crise de desabastecimento, incluindo alimentos e produtos essenciais, como papel higiênico.

(Com agência EFE)