Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Venezuela, palestinos e protecionismo, eixos da 42ª Cúpula do Mercosul

Montevidéu, 18 dez (EFE).- A 42ª Cúpula do Mercosul começa nesta segunda-feira em Montevidéu com o interminável processo de adesão da Venezuela ao grupo, os embates protecionistas e a assinatura de um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os palestinos como principais assuntos da agenda.

Ao lado destes temas, também será abordado o possível pedido do Equador, que deve ser feito pelo presidente Rafael Correa, de ingressar como membro pleno na organização, formada atualmente pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

A cúpula servirá ainda para que o Uruguai passe a presidência do bloco à Argentina.

A integração da Venezuela ao Mercosul, bloqueada no Senado paraguaio, ganhou destaque depois que o presidente do Uruguai, José Mujica, propôs uma até agora pouco clara iniciativa para permitir rapidamente a inclusão do país caribenho, o que foi interpretado como uma reforma do tratado constitutivo do bloco.

Apesar de tanto a Argentina como o Brasil expressarem insatisfação pela falta de decisão paraguaia, não parece provável que o governo de Assunção aceitará uma medida que signifique passar por cima da decisão de seu Poder Legislativo.

O Uruguai também exporá na reunião a necessidade de melhorar ‘as condições de acesso aos mercados’ do bloco frente aos embates protecionistas dos grandes membros, Argentina e Brasil, um dos eternos problemas da organização.

A ideia do Uruguai é consolidar a união aduaneira e avançar na eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum entre os quatro membros do Mercosul.

A cúpula servirá também para que o Mercosul ratifique seu apoio à Palestina com a assinatura de um TLC. Esse convênio, que será assinado pelo ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al-Maliki, será feito depois que os quatro membros plenos do bloco reconheceram o Estado palestino no último ano, como parte de uma corrente internacional na qual a América Latina desempenhou um papel de destaque.

Dado o inexistente comércio bilateral entre as partes, os especialistas consideram este tratado como um ‘gesto político’. O acordo tem ainda a peculiaridade de ser um espelho do já firmado entre o Mercosul e Israel, que foi o primeiro país a assinar um TLC com o bloco.

Está previsto que as reuniões mais importantes contem com a presença dos presidentes dos países do Mercosul – Cristina Kirchner (Argentina), Dilma Rousseff (Brasil), Fernando Lugo (Paraguai) e José Mujica (Uruguai)-, além do líder do Equador, que é associado ao bloco.

De fato, a presença de Correa, que nunca tinha comparecido às reuniões da organização, é o que aponta para o avanço das negociações sobre a entrada do Equador como membro pleno, que precisa apenas de um pedido formal, segundo fontes da diplomacia.

A cúpula começará na segunda-feira com um café da manhã dos ministros das Relações Exteriores dos membros do Mercosul e prosseguirá com uma reunião do Conselho do Mercado Comum. EFE