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Venezuela: oposição acusa governistas de violar processo eleitoral

Chefe de campanha de Maduro classifica denúncia de "calúnia" e diz que opositores planejam abandonar disputa, marcada para o próximo dia 14

A oposição venezuelana acusou o partido governista de ter acesso privilegiado às urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições presidenciais do próximo dia 14. O secretário da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática, Ramón Guillermo Aveledo, disse nesta quarta-feira que um técnico do PSUV, partido de Nicolás Maduro, tem um código de acesso aos equipamentos.

“Essa chave não pode estar nas mãos de organizações políticas e era completamente anormal que estivesse em mãos de um técnico do PSUV. O partido oficial violou áreas técnicas que são exclusivas do CNE e da empresa que coordena as máquinas”, disse Aveledo, ao explicar que o técnico ativou o sistema no último sábado, durante auditorias realizadas no Conselho Nacional Eleitoral.

O secretário disse que o acesso não coloca em risco o sistema de votação nem o sigilo do voto, que têm chaves de acesso de alta segurança. Ressaltou ainda que o risco é limitado, “a menos que ocorra uma sabotagem, por isso estamos denunciando”.

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De acordo com Aveledo, a presidente do CNE, Tibisay Lucena, admitiu a irregularidade e assegurou que uma investigação será aberta para “determinar os responsáveis”. O representante da oposição solicitou a troca dos códigos e a aplicação de sanções administrativas aos culpados.

O chefe do comando de campanha “Hugo Chávez”, Jorge Rodríguez, classificou a denúncia de “calúnia” e disse que a acusação é parte de uma estratégia da oposição para desconhecer os resultados e abandonar as eleições. “Vocês não acreditam na democracia, só na desestabilização. Não sejam covardes, vamos nos medir com votos”.

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Disputa – As eleições presidenciais na Venezuela serão realizadas no dia 14 de abril. Nesta terça-feira, a campanha eleitoral teve início oficialmente, apesar de os candidatos já estarem em busca de votos desde a morte de Hugo Chávez, anunciada no dia 5 de março. O início da campanha oficial foi marcado pela insistência de Maduro em invocar o fantasma de Chávez. Ao discursar em Sabaneta, no estado de Barinas, terra natal do coronel, Maduro disse que Chávez apareceu para ele na forma de um “passarinho” enquanto rezava em uma pequena capela da cidade. “Eu o senti ali como se tivesse nos dando uma benção, dizendo: ‘hoje começa a batalha. Vamos para a vitória, você tem a nossa benção’. Eu senti isso em minha alma”.

Nesta quarta, foi a vez do candidato opositor Henrique Capriles fazer um comício na terra de Chávez. Ele se referiu às denúncias feitas por seu comando eleitoral dizendo que elas devem “significar para o povo de Barinas e para todos os venezuelanos mais força para lutar e derrotar este governo com votos”.