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Venezuela: lixões viram ‘fonte de alimentação’ e motivam brigas

Os "melhores" lugares, com "comida boa", são os que recebem as sobras de restaurantes, padarias e mercados

Por Da redação 5 jan 2017, 12h02 | Atualizado em 4 jul 2026, 11h05
Venezuela: lixões viram ‘fonte de alimentação’ e motivam brigas Priorizar nos meus resultados Google

A profunda crise que aflige a Venezuela trouxe como consequências escassez e fome, o que levou famílias inteiras a buscar restos de alimentos nos lixões e, muitas vezes, a brigar com outras pessoas sem recursos, por um resíduo comestível ou algum material reciclável que possa ser vendido. Ao serem consultadas, algumas das pessoas que vasculham o lixo disseram que, embora existam muitos lixões, nem todos são proveitosos.

Os “melhores” lugares, com “comida boa”, são os que recebem as sobras de restaurantes, padarias e mercados, e são justamente esses os “territórios” mais movimentados e mais disputados pelos necessitados, e também por alguns grupos que se aproveitam da situação. Os horários destes estabelecimentos são mais do que conhecidos pelos que buscam comida escavando a cada nova remessa de resíduos despejada no local. Os desafortunados contam que já houve confrontos entre os que “têm fome” quando os despejos são feitos, e que há alguns “abusadores” que tiram proveito da situação e preparam bolsas de comida do lixo para vendê-las aos que não conseguiram pegar nada.

Uma mulher de 26 anos que disse se chamar Brayan e vive em “situação de rua” há quase um ano no centro de Caracas afirmou à Agência Efe que em sua “zona” existem 45 pessoas que estão na mesma situação: sem trabalho, muitos com filhos e todos sem nada para comer. “Eu luto aqui todos os dias, brigando por uma bolsa porque eu sei que vem comida cozida e boa para dar aos meus filhos, e damos até facadas por isso”, disse a mulher em uma esquina cheia de lixo de um restaurante.

Brayan é mãe de duas crianças de 8 e 9 anos e declarou que precisa buscar comida para eles na rua já que, embora tenha estudado para ser auxiliar de enfermaria, não conseguiu emprego devido à crise. No entanto, segundo ela, mesmo que tivesse um emprego, o salário é tão baixo que não dá para sobreviver. “O que você faz com 20 mil bolívares (cerca de R$ 95)? Dois quilos de farinha e um quilo de sardinha, e você não vai enfrentar uma fila das 2h até as 15h para te dizerem que acabou a farinha”, comentou.

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Inflação galopante — O salário mínimo na Venezuela é de 27.092 bolívares, o equivalente a 130 reais, em uma nação com uma inflação galopante que em 2015 fechou em 180,9%, com uma severa escassez de produtos básicos de todos os tipos, especialmente alimentos.

No lixão vasculhado por Brayan, as pessoas encontram presunto, queijo, ossos e pele de frango e, muitas vezes, a comida ainda conserva o calor do preparo, por isso muitos criticam que estes locais preferem jogar fora a comida do que doar aos necessitados.

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Enquanto isso, Jesús, de 15 anos e que vive em uma cidade nos arredores da capital venezuelana, vai a uma avenida no leste da cidade em busca de comida para levar para a mãe e o irmão, de poucos meses de idade. Este menino está na mesma situação que os primos de 8, 9 e 17 anos, que também seguem para a avenida em busca de comida. Enquanto reviram os resíduos, eles separam papelões para uma posterior venda a um caminhão que passa todos os dias na mesma hora por essa via coletando o material e em troca de 22 bolívares o quilo (um centavo de real). No entanto, os jovens não tiveram esta renda nas últimas semanas devido à escassez de notas de dinheiro que afeta o país desde meados de novembro.

(Com agência EFE)

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