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Venezuela entra para o Conselho de Segurança da ONU

País foi eleito membro não permanente do grupo com 181 votos nesta quinta. Nicolás Maduro vende escolha como 'respaldo' internacional à Venezuela

(Atualizado às 18h16)

Com o apoio dos países da América Latina e do Caribe, a Venezuela foi eleita nesta quinta-feira membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em votação secreta, a candidatura venezuelana teve votos de 181 dos 193 integrantes da Assembleia Geral – eram necessários 129 votos.

O resultado da votação mal havia sido anunciado e o presidente Nicolás Maduro correu para anunciar o “respaldo” dos países da ONU à Venezuela. “Somos uma pátria querida e admirada no mundo inteiro”, disse, em pronunciamento transmitido pela TV. “Esta é uma vitória de Hugo Chávez. O comandante segue vencendo batalhas.”

O chanceler Rafael Ramírez também mencionou o caudilho ao falar sobre a votação na ONU. “Este grande triunfo é o resultado da decisão do comandante quando, em janeiro de 2007 decidiu apresentar a Venezuela como candidata. E é prova do respaldo mundial que continua tendo sua mensagem de paz, solidariedade e justiça social.”

É preciso, no entanto, dar a dimensão correta do que significa um lugar como membro não permanente do Conselho de Segurança. Apesar da euforia propagandística do governo Maduro, o valor do assento no grupo é muito mais simbólico do que prático, uma vez que as decisões são tomadas de fato pelos cinco membros com poder de veto: Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França.

A Venezuela deverá usar suas intervenções no órgão que vela pela segurança mundial mais como um palanque, como indicou a nomeação da filha de Chávez, Gabriela, para transmitir “a voz do comandante para os povos do mundo”. A candidatura também foi o tema do discurso de Maduro na Assembleia Geral, em setembro.

A embaixadora americana na ONU, Samantha Power, criticou a escolha da Venezuela para o Conselho de Segurança e acusou o governo de Nicolás Maduro de não cumprir as regulamentações da organização. “Infelizmente, a conduta da Venezuela na ONU foi contra o espírito da Carta da ONU e suas violações aos direitos humanos estão em conflito com a letra da Carta’, assinalou, em comunicado. Samantha afirmou que os Estados Unidos “continuarão exigindo que a Venezuela respeite as liberdades fundamentais e os direitos humanos universais de sua população.”

A última vez que o país havia integrado o conselho foi há mais de duas décadas. Uma tentativa foi feita em 2006, quando a Guatemala também alimentava essa ambição. Nenhum dos dois países conseguiu a maioria necessária para ser eleito. Chávez reclamou que os Estados Unidos haviam pressionado os membros da Assembleia Geral a não votarem na Venezuela.

A eleição da Venezuela ocorre no momento em que o país rejeita uma recomendação do Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para que o opositor Leopoldo López seja libertado. Ele foi preso em fevereiro, e acusado de incitar a violência na onda de protestos contra o governo, que foi alvo de forte repressão. A procuradora-geral Luisa Ortega Díaz disse ontem que “ingerências” da organização não têm efeito no país, rejeitando a exigência do grupo da ONU.

O mandato tem início em janeiro e vai até dezembro de 2016. Os outros países eleitos para o biênio 2015/2016 foram Angola, Malásia, Nova Zelândia e Espanha. Chade, Chile, Jordânia Lituânia e Nigéria contam com um mandato de mais um ano entre os membros provisórios.

(Com agência EFE)