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Venezuela e Brasil avaliam postos militares conjuntos na fronteira

Venezuela e Brasil examinarão a possibilidade de instalar postos militares conjuntos em sua selvagem e despovoada fronteira como parte de uma série de iniciativas para ampliar a cooperação entre suas Forças Armadas, informou em Caracas o ministro de Defesa brasileiro, Celso Amorim.

“Falamos de vários aspectos, como cooperação em matéria industrial e tecnológica na Defesa, intercâmbio de escolas militares tecnológicas, aperfeiçoamento de oficiais”, detalhou Amorim no final de uma reunião com o ministro venezuelano, Henry Rangel Silva, e outros altos oficiais militares.

“Mas também conversamos sobre possibilidades de maior cooperação na fronteira, inclusive sobre a possibilidade, que terá que ser examinada, de um posto conjunto em certos lugares, porque estamos muito longe, tanto de um lado como de outro, dos grandes centros” urbanos, acrescentou o brasileiro.

Na reunião também houve um acordo sobre a realização em março de uma reunião entre os Estados-Maiores conjuntos de ambos os países, onde serão apresentadas propostas que poderão ser incluídas nas próximas reuniões entre o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e Dilma Rousseff, disse Amorim.

“Esta relação segue um caminho extraordinário e vamos conseguir que nossas Forças Armadas se complementem”, comentou Rangel Silva, que explicou que essa integração não só aumentará a segurança dentro da América do Sul, como também pode se transformar “em um elemento dissuasivo” contra ameaças externas.

O ministro venezuelano, que assumiu seu cargo na semana passada, é acusado pelos Estados Unidos de ter vínculos com a guerrilha colombiana das Farc e com o narcotráfico.

A breve visita de Amorim começou na terça-feira à noite quando foi recebido por Chávez, com quem também falou da cooperação militar regional no âmbito do Conselho de Defesa Sul-americano, uma iniciativa do bloco da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

Esse Conselho foi “muito importante para criar confiança e eliminar dúvidas de rivalidade”, considerou Amorim, acrescentando que a entidade também poderá se focar na luta contra o crime organizado e o narcotráfico.