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Venezuela cria polícia para conter fluxo de emigrantes

Mais de 2,5 milhões de venezuelanos deixaram o país por causa das crises econômica e humanitária

Diante do fluxo crescente de emigrantes em fuga das crises econômica e humanitária, a Venezuela criou uma “polícia migratória”. Ao anunciar a medida nesta sexta-feira (5), a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, indicou a possibilidade de a corporação impor constrangimentos à saída de venezuelanos do país.

“Nasceu na Venezuela a polícia migratória, para preservar a segurança da população, para ter um controle migratório”, disse a vice-presidente, em declarações ao canal estatal VTV.

Rodríguez afirmou que a corporação policial será “muito especializada” e se ocupará de “atender à realidade na fronteira” e de enfrentar a suposta “campanha de falsidades” promovida pela Colômbia e pelos Estados Unidos.

Na lógica do regime de Nicolás Maduro, está em curso  uma campanha internacional “de descrédito” da Venezuela, que promove a  ideia de haver uma emigração maciça de venezuelanos, sobretudo para outros países da região. Na retórica de Maduro, essa campanha prepara o caminho para uma invasão internacional ao país.

Desde 2015, porém, mais de 2,5 milhões de venezuelanos deixaram o país em função da crise econômica, que ceifou empregos e negócios, e da crise humanitária refletida na escassez de alimentos, produtos básicos de limpeza e de medicamentos. A hiperinflação, estimada em mais de 1.000.000% para este ano pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), e a perseguição a opositores do regime contribuíram para a fuga dos cidadãos da Venezuela.

A maioria rumou para a Colômbia, Peru e Equador. Mas também os fronteiriços Brasil e Panamá acolheram os venezuelanos nos últimos anos. Chile, Argentina, Panamá e República Dominicana, além dos Estados Unidos, são outros destinos.

Regimes autoritários, como o da Venezuela, costumam impor restrições à saída de seus cidadãos ao exterior. Cuba, Coreia do Norte e China controlam severamente as viagens internacionais. Até o momento, a Venezuela não havia adotado nenhum tipo de restrição.

“Com esta polícia migratória avançamos na defesa, na preservação da soberania da Venezuela, avançamos na consolidação da segurança pública e avançamos no controle migratório para que a verdade se imponha e não as mentiras imperiais que Washington pretende vender muito barato ao mundo”, disse Rodríguez.

(Com EFE)