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Venezuela: Chavistas elegem presidente do Parlamento em votação sem Guaidó

Guaidó e outros deputados da oposição foram impedidos de entrar na Assembleia classificaram a votação como "golpe"

Por Da Redação - 5 jan 2020, 15h37

Os deputados chavistas da Assembleia Nacional venezuelana elegeram Luis Parra, ex-integrante do partido Primero Justicia, como presidente da casa em um breve e acalorado debate ao qual o líder da oposição, Juan Guaidó, não compareceu, pois foi impedido de entrar no Parlamento pela polícia. Deputados oposicionistas também foram retidos.

O congressista mais antigo presente na câmara serviu como presidente temporário da sessão antes da escolha, classificada pela equipe de Guaidó como “golpe”. Os opositores denunciaram que Parra foi eleito sem votos nem quórum.

Os Estados Unidos acusaram o governo de Nicolás Maduro de “ir contra a vontade do povo e das leis”, alguns minutos após o governo anunciar que um deputado aliado assumiu o cargo de novo presidente do Congresso. Guaidó enfrenta pressão de Maduro e acusou o Partido Socialista de oferecer malas de dinheiro a parlamentares para votarem contra ele.

Uma vitória de Guaidó permitiria que a oposição continuasse pressionando pela saída de Maduro, que se tornou um pária entre as nações do Ocidente por minar a democracia e ser responsável por um catastrófico colapso econômico do país.

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Autoridades do governo aparentemente estavam tentando impedir a votação, com policiais e militares bloqueando uma avenida que leva ao Parlamento e impedindo a entrada de legisladores de oposição.

“Nem a ditadura ou o aparato repressivo do Estado podem decidir quem entra”, disse Guaidó, ao lado de uma barricada da polícia a um quarteirão do Congresso. Ele disse que não entraria no palácio legislativo até que todos possam entrar também.

No começo da tarde, vários congressistas disseram que ainda não haviam conseguido entrar. A televisão estatal mostrou imagens de parlamentares socialistas passando sem problemas pelos cordões de segurança.

Maduro classifica Guaidó como um fantoche dos Estados Unidos e diz que os problemas econômicos do país são decorrência das sanções de Washington, que proíbe que empresas norte-americanas comprem petróleo do país ou façam negócios com o governo.

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Pelo Twitter, Guaidó líder da oposição disse que não há dúvidas que a Venezuela vive em uma ditadura. “Hoje, quem ajuda a impedir a instalação legítima do Parlamento venezuelano se torna cúmplice da ditadura e cúmplice daqueles que estão oprimindo o povo da Venezuela. Eles serão expostos a seus parentes, ao país e ao mundo”. 

(Com EFE e Reuters)

 

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