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Vencedores dos prêmios Nobel defendem educação universal e pesquisa de base

Carmen Rodríguez.

Estocolmo, 7 dez (EFE).- A educação universal de qualidade e o apoio à ciência básica são elementos fundamentais para o desenvolvimento e permitem atingir objetivos que poderiam parecer impossíveis, afirmaram nesta quarta-feira em Estocolmo, na Suécia, alguns dos vencedores dos Prêmios Nobel deste ano.

Os ganhadores do Nobel nas áreas de Física, Química e Economia deram uma entrevista coletiva na qual defenderam a importância do apoio à ciência básica.

O professor americano Brian Schmidt – um dos três Nobel de Física – ressaltou que a sociedade se desenvolve por meio da tecnologia e da inovação, mas que na base está a pesquisa fundamental, com a qual se chega ‘a revoluções que nos permitem inventar coisas’.

Quando Albert Einstein formulou a teoria da relatividade ‘muitos se perguntaram para que servia’ e, no entanto, agora é imprescindível, declarou o Nobel de Química, o professor israelense Dan Shechtman.

‘Às vezes é preciso esperar anos’ para ver os resultados de uma descoberta, mas sem eles ‘o mundo seria agora muito diferente’, afirmou o descobridor dos ‘quase-cristais’, estruturas nas quais os átomos se agrupam em um padrão aperiódico, que não se repete, e que a ciência considerava impossível.

No entanto, antes da ciência fundamental, a base está em uma educação de qualidade para todos desde os primeiros anos.

‘Temos que melhorar a educação básica para todos’, disse Shechtman, acrescentando que os pais que ‘privam seus filhos de uma boa educação’ estão lhes negando a oportunidade de terem um bom futuro.

O astrônomo Adam Riess, outro dos vencedores na área de Física, considerou a educação ‘uma ferramenta essencial’ para qualquer país que queira ‘alcançar excelência em pesquisa fundamental’, embora também seja importante que os Governos distribuam os recursos e a organização das universidades.

O químico descobridor dos ‘quase-cristais’ se dirigiu ainda aos adolescentes para dar um conselho sobre como ser bem-sucedido em ciência e em tecnologia.

‘Eles têm que ser especialistas em uma matéria e para isso é preciso começar desde cedo, ainda no colégio (…) mesmo que depois queiram mudar’ porque isso abrirá um amplo caminho pela frente.

Parte dos prêmios Nobel deste ano foram dados a pessoas que trabalhavam em equipes internacionais, cujo papel é cada vez mais importante em projetos, como o que valeu o prêmio de Física, sobre a expansão acelerada do Universo, salientou Saul Perlmutter, um dos vencedores.

Para esse tipo de projeto é preciso contar ‘com o esforço de grandes equipes, aparelhos sofisticados e pessoas que venham de vários países e com diversas habilidades’.

Christopher Sims, que ganhou junto com Thomas Sargent o Nobel de Economia, explicou que a pesquisa na área econômica costuma ser feita em grupos pequenos, mas o trabalho que o levou a ganhar o Nobel contou ‘com a influência de grandes equipes de economistas dos bancos centrais de todo o mundo’.

Sobre o rumo de suas futuras pesquisas, Shechtman indicou que ganhar o Nobel não é apenas o maior prêmio para um cientista, mas traz também uma grande responsabilidade ‘já que o mundo inteiro olha para o que o pesquisador fará depois’.

Os vencedores em Física concordaram que após descobrirem que o Universo está se expandindo cada vez mais depressa, agora é preciso dar uma resposta a esse fenômeno, que já gera especulações sobre a ação da ‘misteriosa’ energia negra, da qual pouco se sabe.

Sims usou o trabalho para criar novos modelos de escala, além de ‘redefinir’ a teoria das ‘expectativas racionais’, sobre a qual Sargent se debuçou.

Essas pesquisas ‘forneceram novos conhecimentos fundamentais para nos ajudar a entender melhor o mundo em que vivemos’, afirmou o secretário permanente da Real Academia Sueca de Ciências, Staffan Normark, que apresentou os vencedores.

A Academia ‘reconhece seus esforços e os cita em seus discursos’ para fortalecer o apoio à ciência básica, concluiu Normark. EFE